Manejo médico · CHEMM
Material para profissionais de saúde e de resposta a emergências.
Tradução referenciada das diretrizes públicas do CHEMM (Chemical Hazards Emergency Medical Management, HHS/ASPR — governo dos EUA). Não é diagnóstico nem prescrição deste portal; doses e nomes de fármacos permanecem como na fonte original, com o link ao lado — confira sempre no original antes de qualquer conduta. As recomendações da fonte não se destinam a uso médico-legal.
Tradução não oficial, feita por este portal e sem endosso, revisão ou vínculo do HHS/ASPR nem do governo dos EUA. O material de origem é de domínio público; a responsabilidade por esta versão em português é do Produtos Perigosos.
☎ 0800 722 6001 — Disque-Intoxicação (CIATox, 24h)Traduzido de Phosgene - Emergency Department/Hospital Management ↗ (CHEMM, HHS/ASPR — domínio público), fonte capturada em 2026-08-30. Em caso de dúvida, vale o original.
Fosgênio — manejo no pronto-socorro/hospital
- Panorama do manejo agudo
- Zonas quente/morna
- Identificação do agente
- Proteção do socorrista
- Triagem
- Vítimas em massa
- Química
- Específica do agente
- Lembretes de ABC
- Via de exposição
- Sinais e sintomas clínicos
- Diagnóstico diferencial
- Vulnerabilidades pediátricas/obstétricas
- Tratamento nas zonas quente/morna
- Remoção das vítimas
- Zona de descontaminação
- Proteção do socorrista
- Lembretes de ABC
- Antídotos
- Descontaminação básica
- Área de tratamento
- Re-triagem
- Tratamento avançado
- Antídotos específicos do agente
- Exames laboratoriais
- Destino e acompanhamento
Panorama do manejo agudo
Identificação do agente
- Agente: fosgênio — o fosgênio é um líquido incolor e fumegante abaixo de 47°F (8.2°C) e um gás incolor e não inflamável acima de 47°F, com odor sufocante de feno recém-cortado. O limiar de odor do fosgênio é bem mais alto que os limites atuais de exposição por inalação. Portanto, o odor não dá aviso suficiente de concentrações perigosas .
- Os socorristas devem buscar ajuda para identificar a(s) substância(s) pela forma dos recipientes, painéis, rótulos, documentos de transporte e testes analíticos. Informação geral sobre essas técnicas de identificação está no Emergency Response Guidebook.
- Ferramentas de identificação — CHEMM-IST, WISER, propriedades químicas do fosgênio
- Dispositivos — kit detector de agente químico C2 (líquido e vapor), kit detector M256A1 (líquido e vapor), detectores M18A3 e M90 (vapor), kit Draeger CDS (vapor e aerossol)
- Uma fonte abrangente para a seleção de equipamentos de identificação química é o Guide for the Selection of Chemical Detection Equipment for Emergency First Responders, Guide 100-06, January 2007, 3rd Edition, publicado pelo Department of Homeland Security para auxiliar nesse processo.
Proteção do socorrista
- Pessoas expostas apenas ao gás fosgênio em geral não oferecem risco substancial de contaminação secundária.
- Pessoas com roupa ou pele contaminada por fosgênio líquido (temperatura ambiente abaixo de 47°F) podem contaminar secundariamente a equipe de resposta por contato direto ou pelo vapor que se desprende.
- EPI obrigatório; o nível B-C costuma ser adequado, conforme a temperatura ambiente e a distância das zonas quente/morna (acione a equipe HAZMAT para nível A quando necessário). Use luvas de borracha butílica ou outro material com tempo de permeação adequado. Atenção: o uso de equipamento de proteção pelo profissional pode assustar a criança e reduzir a colaboração dela no atendimento.
- Link para EPI, seção de segurança do socorrista no manejo hospitalar
- Link para a seção de referência de informação de segurança relacionada a EPI em evento agudo
Triagem específica do fosgênio
- Efeitos irritantes imediatos, como conjuntivite, rinite, faringite, bronquite, lacrimejamento, blefaroespasmo, hiperemia conjuntival e irritação da via aérea superior, podem ocorrer após exposição a concentrações de 3 to 5 ppm.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Toxicidade pulmonar grave pode se desenvolver após exposição a concentrações mais altas ou a exposições mais prolongadas.
- A vítima de fosgênio que evolui com insuficiência respiratória em até 4 hours da exposição provavelmente inalou uma LD50 e corre risco grave se não for adequadamente suportadadose/fármaco conforme a fonte ↗
- Os sinais e sintomas de toxicidade podem ser tardios, embora seja raro, por 24 to 72 hours, e incluem sufocação, aperto no peito, tosse, dispneia intensa, produção de escarro espumoso e sanguinolento e edema pulmonar. Os sintomas não respiratórios incluem náusea e ansiedade. Insuficiência cardíaca já ocorreu ocasionalmente como complicação do edema pulmonar grave. As diretrizes de concentração-resposta incluem:dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Vítimas com dose inalatória de < 25 ppm/min e sem sinais e sintomas clínicos não precisam de atendimento médico imediato. A exposição a uma dose cumulativa de 50 ppm x minutes pode causar edema pulmonar; uma dose de 150 ppm x min provavelmente causará edema pulmonar; e uma dose de 300 ppm x min provavelmente é fatal.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- A exposição breve a 500 ppm ou mais pode ser rapidamente fatal. A exposição prolongada a concentrações baixas (por exemplo, 3 ppm por 170 min) também pode ser fatal. A exposição a concentrações menores que 3 ppm pode não vir acompanhada de sintomas irritativos imediatos; os efeitos tardios costumam ocorrer em até 24 hrs da exposição.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Vítimas com exposição desconhecida ao fosgênio precisam ser observadas de perto
- O fosgênio líquido é risco de lesão por congelamento e já causou opacificação da córnea.
- Vítimas com exposição desconhecida ao fosgênio precisam ser observadas de perto. A vítima pode receber alta se estiver sem sinais e sintomas e com radiografia de tórax limpa 8 hours após o fim da exposição. Se não houver radiografia disponível, porém, a observação da vítima assintomática deve seguir por 24 hours.dose/fármaco conforme a fonte ↗
Descontaminação
- Vítimas expostas apenas ao gás fosgênio e sem sinal de irritação de pele ou olhos podem ser transferidas imediatamente para a Zona de Apoio, pois não oferecem risco substancial de contaminação secundária ao pessoal fora das zonas quente/morna.
- Descontaminação: salvo se já descontaminados, todo paciente com suspeita de contato com fosgênio líquido (temperatura ambiente abaixo de 47) e toda vítima com irritação de pele ou olhos precisam de descontaminação conforme descrito abaixo.
- Link para a seção de manejo hospitalar
Via de exposição
- Inalação — a inalação é a principal via de exposição ao fosgênio. Seu efeito irritante respiratório pode ser leve e tardio, o que faz a pessoa não se afastar de imediato e ficar exposta por períodos prolongados. O fosgênio é mais pesado que o ar e pode causar asfixia por deslocamento de oxigênio em locais mal ventilados, baixos ou fechados.
- Contato com pele/olhos — quando o gás fosgênio toca pele úmida ou molhada, pode causar irritação e eritema. Concentrações altas no ar também podem causar inflamação e opacificação da córnea. O contato direto com fosgênio líquido sob pressão pode causar lesão por congelamento, além de irritação grave e efeito corrosivo.
- Ingestão — a ingestão de fosgênio é improvável, porque é gás à temperatura ambiente.
Sinais e sintomas clínicos
- A inalação de concentrações baixas pode não causar sinal ou sintoma no início, ou causar sintomas secundários à irritação leve de olhos e garganta, alguma tosse, sufocação, sensação de aperto no peito, náusea e vômito ocasional, cefaleia e lacrimejamento.
- Respiratório — após período assintomático de 30 minutes to 48 hours, naqueles que evoluem com dano pulmonar grave instala-se edema pulmonar progressivo, com aumento do trabalho respiratório e hipóxia subsequente.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Cardiovascular — colapso circulatório secundário ao edema pulmonar grave.
- Dérmico — o fosgênio pode causar irritação da pele e, em concentração suficiente, dor em queimação, inflamação e bolhas. O fosgênio liquefeito pode causar lesão por congelamento.
- Ocular — concentração alta de vapor pode causar lacrimejamento e sangue no olho. O contato com fosgênio líquido pode resultar em opacificação da córnea e perfuração tardia.
- Link para Vulnerabilidades Pediátricas no Manejo Hospitalar
- Link para Síndromes Tóxicas
- Link para Avaliação Primária e Secundária
Diagnóstico diferencial
- Como o fosgênio é irritante do trato respiratório, mas tem particularidade toxicológica pela latência até o edema pulmonar, distingui-lo da apresentação típica de outros irritantes químicos comuns é consideração importante.
- O fosgênio se distingue pelo cheiro em concentrações altas e pelo início tardio do edema pulmonar.
- O cloro tem odor característico mesmo em concentrações baixas, início imediato de insuficiência respiratória, broncoespasmo e irritação de olhos, pele e via aérea superior.
- Os agentes de controle de distúrbios causam ardor agudo nos olhos e na via aérea superior, sem progressão dos sintomas mesmo com a exposição continuada.
- Os agentes neurotóxicos provocam secreções aquosas e insuficiência respiratória, mas com uma série de outros sintomas — miose, convulsão, rapidez de instalação — que os distinguem dos agentes pulmonares.
- A toxicidade respiratória dos vesicantes (o gás mostarda, por exemplo) costuma ser tardia, mas atinge a via aérea central, e não a periférica. A toxicidade por vesicante grave o bastante para causar dispneia costuma causar necrose de via aérea, muitas vezes com obstrução da via aérea superior.
- Link para a ferramenta CHEMM-IST (Chemical Hazards Emergency Medical Management Intelligent Syndromes Tool)
Tratamento
- Suporte
- Antídotos — não existem antídotos específicos para o fosgênio.
- Imponha repouso — mesmo esforço físico mínimo pode encurtar o período de latência clínico e aumentar a gravidade dos sinais e sintomas respiratórios numa vítima de agente que lesa o pulmão. Atividade física num paciente sintomático pode precipitar deterioração clínica aguda e até a morte. Limitação estrita de atividade é fortemente recomendada para pacientes com suspeita de terem inalado fosgênio.
- Link para a seção de Tratamento de Suporte
- Link para Suporte Básico e Avançado de Vida
- Link para Suporte Básico e Avançado de Vida Pediátrico
- Link para a seção de Medicações-Chave do Cuidado Agudo — Adulto
- Link para a seção de Medicações-Chave do Cuidado Agudo — Adulto
Zonas quente/morna
Estabeleça as zonas quente/morna — incluindo triagem das zonas, descontaminação e locais de re-triagem.
Se pacientes contaminados chegarem ao pronto-socorro, devem ser descontaminados antes de entrar na unidade. A descontaminação só pode ocorrer dentro do hospital se houver instalação de descontaminação com pressão de ar negativa e ralos de piso para conter a contaminação.
Os socorristas devem estar treinados e adequadamente paramentados antes de entrar nas zonas quente/morna. Se o equipamento adequado não estiver disponível, ou se os socorristas não tiverem treinamento para usá-lo, peça apoio conforme os guias operacionais locais de emergência (EOG). Esse apoio pode vir das equipes HAZMAT locais, de parceiros em auxílio mútuo, do sistema metropolitano de resposta mais próximo (MMRS) e do U. S. Soldier and Biological Chemical Command (SBCCOM) — Edgewood Research Development and Engineering Center. O SBCCOM pode ser contatado (das 7:00 AM às 4:30 PM EST pelo 410-671-4411 e das 4:30PM às 7:00AM EST pelo 410-278-5201), pedindo pelo oficial de serviço.
Zonas quente/morna
Identificação do agente
- Agente: fosgênio — o fosgênio é um líquido incolor e fumegante abaixo de 47°F (8.2°C) e um gás incolor e não inflamável acima de 47°F, com odor sufocante de feno recém-cortado. O limiar de odor do fosgênio é bem mais alto que os limites atuais de exposição por inalação. Portanto, o odor não dá aviso suficiente de concentrações perigosas .
- Os socorristas devem buscar ajuda para identificar a(s) substância(s) pela forma dos recipientes, painéis, rótulos, documentos de transporte e testes analíticos. Informação geral sobre essas técnicas de identificação está no Emergency Response Guidebook.
- Ferramentas de identificação — CHEMM-IST, WISER, propriedades químicas do fosgênio
- Dispositivos — kit detector de agente químico C2 (líquido e vapor), kit detector M256A1 (líquido e vapor), detectores M18A3 e M90 (vapor), kit Draeger CDS (vapor e aerossol)
- Uma fonte abrangente para a seleção de equipamentos de identificação química é o Guide for the Selection of Chemical Detection Equipment for Emergency First Responders, Guide 100-06, January 2007, 3rd Edition, publicado pelo Department of Homeland Security para auxiliar nesse processo.
Proteção do socorrista
Proteção respiratória e da pele: equipamento autônomo de respiração (SCBA) de pressão positiva sob demanda, nível A, é recomendado em situações de resposta que envolvam exposição a níveis potencialmente inseguros de fosgênio líquido ou vapor.
EPI exigido: nível B-C
É mais provável que EPI de nível B-C seja adequado. Nível A pode ser necessário se o hospital estiver próximo do local da exposição e/ou se houver preocupação com exposição a vapor (acione o HAZMAT para EPI de nível A).
Proteção respiratória: equipamento autônomo de respiração (SCBA) de pressão positiva é recomendado em situações de resposta que envolvam exposição a níveis potencialmente inseguros de fosgênio.
Proteção da pele: vestimenta de proteção química é recomendada por causa do potencial de efeitos inflamatórios e corrosivos.
- Nível A — a vestimenta de proteção de nível A é o nível máximo de proteção. Inclui equipamento autônomo de respiração (SCBA) com traje totalmente encapsulado, estanque a vapor, com luvas e botas acopladas ao traje (os cilindros duram de 1/2 hour a 1 hour — meia hora a uma hora).dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Nível B — exige o uso de SCBA, mas tem menos proteção de pele. Trajes de nível B são resistentes a produtos químicos, projetados para respingos de líquidos, mas não para riscos de gás ou vapor. Um soldado jovem aguenta cerca de 2 hours (2 horas) num dia quente com uma mangueira de ar externa.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- O nível C é semelhante ao B, com exceção do tipo de proteção respiratória: o SCBA é substituído por um respirador purificador de ar.
- A vestimenta de proteção de nível D é utilizada quando não há risco respiratório nem risco maior para a pele. Nível D para o pessoal hospitalar inclui pijama cirúrgico, óculos de segurança, propés e possivelmente protetor facial.
Link para a seção de referência de informação de segurança relacionada a EPI em evento agudo
Triagem
A triagem de vítimas químicas baseia-se na viabilidade de andar, no estado respiratório, na idade e em lesões convencionais adicionais. O oficial de triagem precisa conhecer o curso natural de uma dada lesão, os recursos médicos imediatamente disponíveis, o fluxo atual e provável de vítimas e a capacidade de evacuação médica.
Padrões de triagem de vítimas em massa
- SALT Mass Casualty Triage — recomendação do governo dos Estados Unidos
- Algoritmo START de triagem de adultos
- Algoritmo JumpSTART de triagem pediátrica
Princípios gerais de triagem para exposições químicas
- Confira o cartão/etiqueta de triagem quanto a tratamento ou triagem anteriores.
- Procure sinais de trauma associado ou de lesão por explosão.
- Observe sudorese, respiração laboriosa, tosse/vômito e secreções.
- A vítima grave é triada como imediata quando precisa de ventilação assistida.
- Em lesão por explosão ou outro trauma em que haja dúvida sobre exposição química, a vítima deve ser classificada como imediata na maioria dos casos. A vítima de explosão apresenta efeitos tardios, como SDRA, entre outros.
- Vítima leve/moderada: autoajuda ou ajuda mútua, triagem como tardia ou mínima, e a liberação depende de acompanhamento e orientações rigorosos.
- Havendo exposição química que possa causar sinais e sintomas tardios porém graves, a supertriagem é considerada adequada, encaminhando a vítima a serviços capazes de observar e manejar sintomas de início tardio.
- Nos eventos com múltiplas vítimas, a categoria expectante reúne quem sofreu parada cardíaca, parada respiratória ou convulsões contínuas de imediato. Não se devem gastar recursos com essas vítimas quando há grande número de pessoas precisando de cuidado e transporte com recursos escassos.
- Dentro de uma mesma categoria, priorize a criança e a gestante em relação ao adulto não gestante.
Triagem específica do fosgênio
- Efeitos irritantes imediatos, como conjuntivite, rinite, faringite, bronquite, lacrimejamento, blefaroespasmo, hiperemia conjuntival e irritação da via aérea superior, podem ocorrer após exposição a concentrações de 3 to 5 ppm.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Toxicidade pulmonar grave pode se desenvolver após exposição a concentrações mais altas ou a exposições mais prolongadas.
- A vítima de fosgênio que evolui com insuficiência respiratória em até 4 hours da exposição provavelmente inalou uma LD50 e corre risco grave se não for adequadamente suportadadose/fármaco conforme a fonte ↗
- Os sinais e sintomas de toxicidade podem ser tardios, embora seja raro, por 24 to 72 hours, e incluem sufocação, aperto no peito, tosse, dispneia intensa, produção de escarro espumoso e sanguinolento e edema pulmonar. Os sintomas não respiratórios incluem náusea e ansiedade. Insuficiência cardíaca já ocorreu ocasionalmente como complicação do edema pulmonar grave. As diretrizes de concentração-resposta incluem:dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Vítimas com dose inalatória de < 25 ppm/min e sem sinais e sintomas clínicos não precisam de atendimento médico imediato. A exposição a uma dose cumulativa de 50 ppm x minutes pode causar edema pulmonar; uma dose de 150 ppm x min provavelmente causará edema pulmonar; e uma dose de 300 ppm x min provavelmente é fatal.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- A exposição breve a 500 ppm ou mais pode ser rapidamente fatal. A exposição prolongada a concentrações baixas (por exemplo, 3 ppm por 170 min) também pode ser fatal. A exposição a concentrações menores que 3 ppm pode não vir acompanhada de sintomas irritativos imediatos; os efeitos tardios costumam ocorrer em até 24 hrs da exposição.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Vítimas com exposição desconhecida ao fosgênio precisam ser observadas de perto
- O fosgênio líquido é risco de lesão por congelamento e já causou opacificação da córnea.
- Vítimas com exposição desconhecida ao fosgênio precisam ser observadas de perto. A vítima pode receber alta se estiver sem sinais e sintomas e com radiografia de tórax limpa 8 hours após o fim da exposição. Se não houver radiografia disponível, porém, a observação da vítima assintomática deve seguir por 24 hours.dose/fármaco conforme a fonte ↗
Lembretes de ABC
Lembretes de ABC/ALS — estabilização inicial: avalie e apoie via aérea, respiração e circulação. Intube a traqueia em caso de comprometimento respiratório. Deve-se usar o tubo mais calibroso possível, para evitar obstrução por epitélio descamado. Pode ser preciso aspirar secreções brônquicas excessivas.
- Link para Suporte Básico e Avançado de Vida
- Link para Suporte Básico e Avançado de Vida Pediátrico
- Link para a seção de Medicações-Chave do Cuidado Agudo — Adulto
- Link para a seção de Medicações-Chave do Cuidado Agudo — Pediátrico
- Link para Avaliação Primária e Secundária
Via de exposição
- Inalação — a inalação é a principal via de exposição ao fosgênio. Seu efeito irritante respiratório pode ser leve e tardio, o que faz a pessoa não se afastar de imediato e ficar exposta por períodos prolongados. O fosgênio é mais pesado que o ar e pode causar asfixia por deslocamento de oxigênio em locais mal ventilados, baixos ou fechados.
- Contato com pele/olhos — quando o gás fosgênio toca pele úmida ou molhada, pode causar irritação e eritema. Concentrações altas no ar também podem causar inflamação e opacificação da córnea. O contato direto com fosgênio líquido sob pressão pode causar lesão por congelamento, além de irritação grave e efeito corrosivo.
- Ingestão — a ingestão de fosgênio é improvável, porque é gás à temperatura ambiente.
Sinais e sintomas clínicos
- Por ser pouco solúvel em água, é absorvido principalmente pela via aérea inferior. A inalação de concentrações baixas pode não causar sinal ou sintoma no início, ou causar sintomas secundários à irritação leve da via aérea. Após período assintomático de 30 minutes to 48 hours, naqueles que evoluem com dano pulmonar grave instala-se edema pulmonar progressivo, capaz de produzir até 1 litro de líquido por hora.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Colapso circulatório secundário ao edema pulmonar grave. A destruição de hemácias na circulação pulmonar pode levar à insuficiência cardíaca direita.
- Cloro e fosgênio causam irritação da pele e, em concentração suficiente, dor em queimação, inflamação e bolhas. Cloro e fosgênio liquefeitos podem causar lesão por congelamento.
- Concentração alta de vapor pode causar lacrimejamento e sangue no olho. O contato com fosgênio líquido pode resultar em opacificação da córnea e perfuração tardia.
- Nos casos graves de exposição ao fosgênio pode haver hemólise, com obstrução dos capilares pulmonares.
- O fosgênio pode ser diretamente citotóxico para o fígado.
- O fosgênio também pode causar citotoxicidade renal, com perda de função.
- Náusea e vômito podem ocorrer após a exposição ao fosgênio.
- Se o paciente sobrevive 48 hours, a recuperação é provável. Hiper-reatividade persistente da via aérea, destruição do tecido pulmonar e cicatrização podem levar a dilatação dos brônquios, enfisema lobar e atelectasia. Como na exposição ao cloro, já se relatou RADS.dose/fármaco conforme a fonte ↗
Link para Síndromes Tóxicas
Link para Avaliação Primária e Secundária
Diagnóstico diferencial
- Como o fosgênio é irritante do trato respiratório, mas tem particularidade toxicológica pela latência até o edema pulmonar, distingui-lo da apresentação típica de outros irritantes químicos comuns é consideração importante.
- O fosgênio se distingue pelo cheiro em concentrações altas e pelo início tardio do edema pulmonar.
- O cloro tem odor característico mesmo em concentrações baixas, início imediato de insuficiência respiratória, broncoespasmo e irritação de olhos, pele e via aérea superior.
- Os agentes de controle de distúrbios causam ardor agudo nos olhos e na via aérea superior, sem progressão dos sintomas mesmo com a exposição continuada.
- Os agentes neurotóxicos provocam secreções aquosas e insuficiência respiratória, mas com uma série de outros sintomas — miose, convulsão, rapidez de instalação — que os distinguem dos agentes pulmonares.
- A toxicidade respiratória dos vesicantes (o gás mostarda, por exemplo) costuma ser tardia, mas atinge a via aérea central, e não a periférica. A toxicidade por vesicante grave o bastante para causar dispneia costuma causar necrose de via aérea, muitas vezes com obstrução da via aérea superior.
- Link para a ferramenta CHEMM-IST (Chemical Hazards Emergency Medical Management Intelligent Syndromes Tool)
Vulnerabilidades pediátricas/obstétricas/geriátricas
- Estão mais perto do chão e ficam expostas a concentração maior de fosgênio.
- Têm frequência respiratória mais alta e inalam volume maior por minuto.
- Têm via aérea de menor diâmetro, estreitamento subglótico anatômico, epiglote em ômega, língua relativamente grande e costelas e traqueia menos rígidas, o que as torna mais vulneráveis à lesão pelo fosgênio, como broncoespasmo, secreção abundante e edema pulmonar.
- A pele é mais fina e tem mais água, sendo mais vulnerável ao efeito inflamatório/corrosivo.
- Link para Avaliação Primária e Secundária
Tratamento nas zonas quente/morna
Antídotos — não existem antídotos específicos para o fosgênio.
Suporte
Intube a traqueia em caso de coma ou comprometimento respiratório, ou para facilitar a remoção de secreção pulmonar excessiva. Se não for possível, faça cricotireoidostomia. Será necessário aspirar a via aérea com frequência para remover secreção mucosa.
Trate o paciente com broncoespasmo usando broncodilatador em aerossol. O uso de agentes sensibilizantes brônquicos em situações de exposição a múltiplos químicos pode acrescentar risco. Avalie a condição do miocárdio antes de escolher o tipo de broncodilatador. Agentes sensibilizantes cardíacos podem ser apropriados; contudo, seu uso após exposição a certos químicos pode aumentar o risco de arritmia cardíaca (sobretudo no idoso). Não se sabe que a intoxicação por fosgênio acrescente risco ao uso de sensibilizantes brônquicos ou cardíacos.
Considere racemic epinephrine ‡ em aerossol para a criança que desenvolve estridor. Dose 0.25-0.75 mL of 2.25 % racemic epinephrine solution in 2.5 cc water, repetindo a cada 20 minutes conforme a necessidade, com cautela pela variabilidade miocárdica.dose/fármaco conforme a fonte ↗
Pacientes comatosos, hipotensos, com convulsão ou arritmia cardíaca devem ser tratados conforme os protocolos de suporte avançado de vida (ALS).
Imponha repouso — mesmo esforço físico mínimo pode encurtar o período de latência clínico e aumentar a gravidade dos sinais e sintomas respiratórios numa vítima de agente que lesa o pulmão. Atividade física num paciente sintomático pode precipitar deterioração clínica aguda e até a morte. Limitação estrita de atividade é fortemente recomendada para pacientes com suspeita de terem inalado fosgênio.
- Link para Suporte Básico e Avançado de Vida
- Link para Suporte Básico e Avançado de Vida Pediátrico
- Link para a seção de Medicações-Chave do Cuidado Agudo — Adulto
- Link para a seção de Medicações-Chave do Cuidado Agudo — Pediátrico
- Link para Avaliação Primária e Secundária
‡ Não aprovado pela FDA para esta indicação / uso off-label
Remoção das vítimas
Se as vítimas conseguem andar, conduza-as para fora das zonas quente/morna até a zona de descontaminação. Vítimas que não conseguem andar podem ser removidas em pranchas rígidas ou macas; se estas não estiverem disponíveis, carregue ou arraste as vítimas com cuidado até um local seguro. Havendo grande número de vítimas, e se os recursos de descontaminação permitirem, devem ser estabelecidos corredores de descontaminação separados para as vítimas que andam e as que não andam.
Considere o manejo apropriado de crianças contaminadas quimicamente, como medidas para reduzir a ansiedade de separação se a criança for separada de um dos pais ou de outro adulto.
- Link para Manejo dos Falecidos
Zona de descontaminação
Vítimas expostas apenas ao gás fosgênio, sem evidência de irritação de pele ou olhos, podem ser transferidas imediatamente para a zona de apoio, já que não representam risco substancial de contaminação secundária para pessoal fora das zonas quente/morna. Vítimas cuja roupa ou pele esteja contaminada com fosgênio líquido (temperatura ambiente abaixo de 47ºF) podem contaminar secundariamente o pessoal de resposta por contato direto ou pelo vapor liberado, e exigirão a descontaminação descrita abaixo.
A descontaminação rápida é crítica para impedir mais absorção pelo paciente e para evitar a exposição de outras pessoas.
Zona de descontaminação
Proteção do socorrista
O pessoal deve continuar usando o mesmo nível de proteção exigido nas zonas quente/morna.
Link para Zonas quente/morna — Proteção do socorrista.
Se os níveis de exposição forem considerados seguros, a descontaminação pode ser conduzida por pessoal usando um nível de proteção inferior ao das zonas quente/morna. Porém, não tente reanimação sem uma barreira.
Lembretes de ABC
Se a vítima estiver sintomática, institua imediatamente as medidas de suporte de vida de emergência. O tratamento deve ser dado simultaneamente aos procedimentos de descontaminação. Garanta rapidamente que a vítima tenha uma via aérea pérvia e esteja ventilando bem. Assista a ventilação com dispositivo bolsa-válvula-máscara equipado com canister ou filtro de ar, se necessário. Mantenha circulação adequada. Estabilize a coluna cervical com um colar descontaminável e uma prancha rígida se houver suspeita de trauma. Pressão direta deve ser aplicada para controlar sangramento intenso, se houver.
- Link para o Tratamento de suporte nas zonas quente/morna
- Link para Suporte Básico e Avançado de Vida
- Link para Suporte Básico e Avançado de Vida Pediátrico
- Link para a seção de Medicações-Chave do Cuidado Agudo — Adulto
- Link para a seção de Medicações-Chave do Cuidado Agudo Pediátrico
- Link para Avaliação Primária e Secundária
Antídotos
Antídotos — não existem antídotos específicos para o fosgênio.
Descontaminação básica
Considerações de montagem
- Use instruções afixadas, ilustradas e escritas, para que a vítima se descontamine sozinha quando puder, com sinalização multilíngue adequada ao local
- Ensaque em saco duplo a roupa contaminada (coloque aparelho auditivo e objetos de valor em saco pequeno). Ponha o saco no recipiente ao lado dos chuveiros.
- A vítima que tiver condições pode participar da própria descontaminação.
- Criança e idoso têm risco maior de hipotermia — ofereça chuveiro morno e cobertores
- A privacidade deve ser considerada, quando possível.
- O sistema de descontaminação deve servir a crianças de todas as idades, à criança desacompanhada, à criança não deambulante e à criança com necessidades especiais, e permitir que as famílias fiquem juntas.
- Use instruções passo a passo e amigáveis para a criança, explicando à criança e aos pais o que precisam fazer, por quê e o que esperar.
- Leve em conta que o lactente molhado fica escorregadio e vai precisar de um meio de atravessar a descontaminação — baldes plásticos, cadeirinhas, macas.
- Defina uma área de espera e destaque pessoal para apoiar e supervisionar as crianças
- Proporção de pessoal recomendada para crianças desacompanhadas, por faixa etária: 1 adulto para 4 lactentes
- 1 adulto para 10 crianças em idade pré-escolar
- 1 adulto para 20 crianças em idade escolar
Instruções de lavagem
- Se a descontaminação for demorar bastante, faça a vítima enxaguar com água a pele exposta e tirar a roupa (kits de roupa descartável devem estar disponíveis).
- Retire toda a roupa (ao menos até as peças íntimas) e coloque-a em saco de polietileno resistente de 6-mil, identificado (retirar a roupa, ao menos até a roupa íntima, reduz a contaminação da vítima em 85 %).dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Se a roupa foi exposta à contaminação, é preciso cuidado ao despir para não transferir o agente químico para a pele — qualquer peça que teria de passar pela cabeça deve ser cortada, não puxada por cima da cabeça.
- Havendo suspeita de exposição ao agente líquido, corte e retire toda a roupa e lave a pele imediatamente com água e sabão.
- Se a exposição foi certamente só a vapor, retire a roupa externa e lave a pele exposta com água e sabão.
- Cubra toda ferida aberta com filme plástico antes da descontaminação da cabeça aos pés (atenção especial às feridas abertas, porque o fosgênio é prontamente absorvido pela pele escoriada).
- Lave a pele exposta e o cabelo com água limpa por 2 to 3 minutes e depois lave duas vezes com sabão neutro. Enxágue bem com água. Cuidado para não romper a pele do paciente durante a descontaminação.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Irrigue o olho exposto ou irritado com água limpa ou soro por pelo menos 15 minutes, inclinando a cabeça para o lado, afastando as pálpebras com os dedos e derramando água devagar nos olhos. Retire a lente de contato se sair com facilidade, sem trauma adicional ao olho. Havendo suspeita de material corrosivo, ou dor ou lesão evidente, mantenha a irrigação durante a transferência da vítima para a Zona de Apoio.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Raspar com uma espátula de madeira, como abaixador de língua ou palito de picolé, remove o agente em maior quantidade
- Cuidado — muita gente toma banho como toma em casa, em vez de fazer uma descontaminação rápida do corpo. Esfregar com força demais agrava a lesão da pele e das feridas abertas.
- Usar água em grande quantidade, por si só, é muito eficaz (limite a pressão em lactentes).
- Se a água for limitada e não houver chuveiros, uma alternativa de descontaminação é usar pós absorventes, como farinha, talco ou Fuller's earth (terra de Fuller) (solução de sodium hypochlorite 0.5% é contraindicada).dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Sodium hypochlorite não é recomendado em lactentes e crianças pequenas.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- A certificação da descontaminação se dá por qualquer um destes meios: passagem pela instalação de descontaminação; kit M256A1; detectores de agente químico M18A2 e M90.
- Se ainda houver contaminação, repita o procedimento de banho.
Descontaminação do socorrista:
- Comece lavando o EPI do socorrista com solução de água e sabão e escova macia. Sempre no sentido de cima para baixo (da cabeça aos pés). Não deixe de alcançar todas as áreas, principalmente as dobras da roupa. Lave e enxágue (com água fria ou morna) até remover completamente o contaminante.
- Retire o EPI enrolando para baixo (da cabeça aos pés) e evite puxá-lo por cima da cabeça. Retire o SCBA depois dos demais EPIs.
- Coloque todo o EPI em sacos de polietileno resistentes de 6-mil, identificados.
Descontaminação de lactentes e crianças
- Vídeo: Descontaminação de Lactentes e Crianças (HHS/AHRQ, Children's Hospital Boston) ( Assistir ao vídeo ) O material Decontamination of Children (HHS/AHRQ) demonstra a descontaminação passo a passo em tempo real e treina o profissional nas particularidades do atendimento a lactentes e crianças, que exigem atenção especial na descontaminação.
Manejo de feridas
- Link para Manejo de Feridas
Referências
- Medical Management of Chemical Casualties Handbook, 2nd edition, September, 1995
- Braue EH, Boardman CH. Decontamination of Chemical Casualties
- Jagminas L. CBRNE - Chemical Decontamination (eMedicine)
Área de tratamento
Área de tratamento
Re-triagem da área de tratamento
Após a descontaminação, o paciente deve ser reavaliado, observando mudança de categoria de triagem (se houver) e a necessidade ou o ajuste da terapia de suporte (ver Lembretes de ABC / Tratamento Avançado) .
Imponha repouso — mesmo esforço físico mínimo pode encurtar o período de latência clínico e aumentar a gravidade dos sinais e sintomas respiratórios numa vítima de agente que lesa o pulmão. Atividade física num paciente sintomático pode precipitar deterioração clínica aguda e até a morte. Limitação estrita de atividade é fortemente recomendada para pacientes com suspeita de terem inalado fosgênio.
Lembretes de ABC
Avalie rapidamente a permeabilidade da via aérea. Se houver suspeita de trauma, mantenha a imobilização cervical manual e aplique colar cervical e prancha rígida quando possível. Garanta respiração e pulso adequados. Registre a saturação de oxigênio. Coloque em monitor cardíaco.
Link para Avaliação Primária e Secundária
Se o paciente estiver sintomático, institua imediatamente as medidas de suporte de vida de emergência.
Tratamento avançado
Suporte — link para o tratamento de suporte nas zonas quente/morna
Sinais e sintomas clínicos — Link para sinais e sintomas clínicos
Manejo médico
- O diagnóstico da toxicidade aguda pelo fosgênio é sobretudo clínico, baseado nos sintomas de irritação e na dificuldade respiratória. Ainda assim, os exames laboratoriais são úteis para monitorar o paciente e avaliar complicações.
- Se surgir tosse ou dificuldade para respirar, avalie hipóxia, irritação da via respiratória, bronquite ou pneumonite.
- Radiografia de tórax e oximetria de pulso (ou gasometria arterial) são recomendadas quando se suspeita de exposição inalatória significativa. Radiografias seriadas podem ser necessárias, porque os efeitos podem ser tardios.
- O edema pulmonar visível na radiografia já apareceu em 1 to 2 hours na exposição alta, 4 to 6 hours na exposição moderada e cerca de 8 to 24 hours após exposição a dose baixa, mas o tempo de início varia. Alargamento peri-hilar borrado e opacidades difusas são achados comuns.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Os exames laboratoriais de rotina de todo paciente exposto incluem hemograma, glicemia e eletrólitos. A monitorização por ECG é útil em pacientes expostos ao fosgênio.
- Os níveis plasmáticos de fosgênio não têm utilidade clínica.
- Lesão Pulmonar Aguda (ALI) e Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (ARDS): a ALI/ARDS é um processo de edema pulmonar não hidrostático com hipoxemia arterial resultante, associado a várias causas (inclusive a toxicidade grave pelo fosgênio). A hipertensão atrial esquerda deve ser descartada.
- A definição padrão de ALI identifica os pacientes com infiltrado pulmonar bilateral e hipoxemia arterial pela concentração de oxigênio arterial dividida pela fração inspirada de oxigênio (ou seja, relação PaO2 menor que 300).
- Se a relação Pa02/Fi02 do paciente for menor que 200, pode-se fazer o diagnóstico de ARDS
- Link para a literatura de visão geral sobre diagnóstico e manejo de ALI e ARDS
Tratamento preventivo
A inalação de doses mais altas de fosgênio (por exemplo, > 150 ppm/min) causa alterações bioquímicas imediatas que levam a mudanças na barreira ar-sangue, mas podem passar várias horas até acumular líquido extravascular suficiente para produzir os sinais e sintomas de edema pulmonar. Um objetivo central no manejo da vítima tem sido bloquear a cascata inflamatória induzida pelo fosgênio durante a fase de latência, antes do edema clínico. (Essa terapia precoce costuma ser chamada de tratamento profilático, embora profilaxia, mais corretamente, se refira a tratamentos dados antes da exposição.) Os tratamentos específicos propostos para profilaxia pós-exposição, incluindo corticosteroides, ibuprofen, NAC e ventilação com pressão positiva na via aérea, são descritos abaixo (uso off label) ‡ * . Não se conhece, porém, antídoto específico para a exposição ao fosgênio.dose/fármaco conforme a fonte ↗
Experimentos em animais e a experiência humana anedótica sugerem que os medicamentos listados nas seções de terapia profilática e de terapia medicamentosa, abaixo, podem ser eficazes em prevenir e/ou tratar o edema pulmonar induzido por fosgênio. As doses ótimas desses agentes não foram estabelecidas (uso off label) ‡ * .
Terapia medicamentosa profilática
- A exposição a uma dose total de 50 ppm x minutes pode causar edema pulmonar tardio. O tratamento profilático deve ser considerado em pacientes com exposição de 50 ppm x min ou mais. As doses ótimas desses agentes para exposição ao fosgênio não foram estabelecidas. Methylprednisolone 15 mg/kg (max dose 1 gram) por via intravenosa (ou corticosteroide equivalente) ou dexamethasone phosphate 10 milligrams em aerossol (pode ser menos eficaz que a administração intravenosa).dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Aminophyline 5- 6 milligrams/kilogram de ataque, seguida de 1 milligram/kilogram a cada 8 to 12 hours para manter nível sérico de 10 to 20 micrograms/milliliter.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Ibuprofen 800 milligrams (pelo menos uma dose). Pediátrico 10mg/kgdose/fármaco conforme a fonte ↗
- N-Acetyl-cysteine — até 10 milliliters de uma solução a 20 % em aerossol.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Terbutaline 0.01 mg/kg (max dose 0.25 milligrams) por via subcutânea.dose/fármaco conforme a fonte ↗
Tratamento não farmacológico
- Administre oxigênio suplementar umidificado a 100 %, faça intubação endotraqueal e ofereça ventilação assistida conforme a necessidade.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Posicionamento — a melhora da oxigenação tem sido associada à mudança para a posição prona. .
- Mantenha ventilação e oxigenação adequadas com monitorização frequente de gasometria arterial, oximetria de pulso e CO2 ao final da expiração. Se for preciso FIO2 alta para manter a oxigenação adequada, pode ser necessária ventilação mecânica com pressão positiva ao final da expiração (PEEP); se houver ARDS, prefere-se ventilação com volume corrente baixo (6 milliliters/kilogram) e hipercapnia permissiva.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Para minimizar barotrauma e outras complicações, use a menor pressão de pico de via aérea e a menor PEEP possíveis, mantendo oxigenação adequada.
- O uso de volume corrente menor (6 milliliters/kilogram) e de pressões de platô mais baixas (30 cm de água ou menos) associou-se a menor mortalidade e a desmame mais rápido da ventilação mecânica em pacientes com ARDS (Brower et al, 2000). Apesar da falta de tratamento farmacológico específico, a ventilação protetora reduziu a mortalidade da ALI de 40% em 2000 para 25% em 2006.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Link para a literatura de visão geral sobre diagnóstico e manejo de ALI e ARDS
Terapia medicamentosa ‡ *
- Agonistas beta-adrenérgicos inalados se houver broncoespasmo — considere racemic epinephrine em aerossol para a criança que desenvolve estridor. Dose 0.25-0.75 mL of 2.25% racemic epinephrine solution in 2.5 cc water, repetindo a cada 20 minutes conforme a necessidade, com cautela pela variabilidade miocárdica. Avalie a condição do miocárdio antes de escolher o tipo de broncodilatador. Agentes sensibilizantes cardíacos podem ser apropriados; contudo, seu uso após exposição a certos químicos pode aumentar o risco de arritmia cardíaca (sobretudo no idoso). Não se sabe que a intoxicação por fosgênio acrescente risco a essas terapias. O uso de sensibilizantes brônquicos em situações de exposição a múltiplos químicos pode acrescentar risco.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Aminophylline IV é agente de segunda linha que pode ajudar — dose de ataque de 5-6 milligram/kilogram, seguida de 1 milligram/kilogram a cada 8 to 12 hours para manter nível sérico de 10 to 20 micrograms/milliliter.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Methylprednisolone — crianças 2 mg/kg de ataque e depois 2 mg/kg divididos Q6h; adultos 250 mg Q6H. O corticosteroide não é recomendado em pacientes sem doença reativa das vias aéreas latente ou manifesta.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Agonistas beta2-adrenérgicos, como terbutaline e isoetharine, em doses convencionais.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- N-acetylcysteine — até 10 milliliters de uma solução a 20 % em aerossol.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Ibuprofen 800 milligrams (15 mg/kg em crianças) a cada 8 to 12 hours, por pelo menos uma dose.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Terapia com Na Bicarbonate — a utilidade do bicarbonato nebulizado não está firmemente estabelecida, e a dose ótima também não foi delimitada. Uma dose razoável é 3.75-5% nebulizada ao longo de 20 minutes, podendo ser repetida. Uma solução a 3.5% pode ser preparada tomando 2 mL de uma preparação intravenosa a 7.5% de sodium bicarbonate e combinando com 2 mL de soro fisiológico. Como pode haver precipitação se forem combinados, é importante que o sodium bicarbonate nebulizado seja administrado separadamente do albuterol sulfate nebulizadodose/fármaco conforme a fonte ↗
- Antibióticos só são indicados quando há evidência de infecção. Mais de 60% dos pacientes com ARDS têm infecção pulmonar (nosocomial)dose/fármaco conforme a fonte ↗
Fluidos
- Soluções cristaloides devem ser administradas com cautela, EVITANDO balanço hídrico positivo. Monitore o estado volêmico por acesso central ou cateter de Swan Ganz(R).
- Diuréticos podem ser necessários para evitar balanço hídrico positivo, mas são quase sempre contraindicados. O edema pulmonar por inalação de fosgênio não é de origem hipervolêmica ; o paciente tende a estar hipovolêmico e hipotenso . Dopamine pode ser necessária no tratamento de hipotensão, bradicardia ou insuficiência renal.dose/fármaco conforme a fonte ↗
Observe por até 48 hours o paciente em insuficiência respiratória, reexaminando o tórax periodicamente e solicitando os exames adequados. Faça o acompanhamento conforme a indicação clínica.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Link para a literatura de visão geral sobre diagnóstico e manejo de ALI e ARDS
Exposição ocular
- Retire a lente de contato e irrigue o olho exposto com grande quantidade de soro 0.9 % ou água à temperatura ambiente por pelo menos 15 minutes. Se irritação, dor, edema, lacrimejamento ou fotofobia persistirem após 15 minutes de irrigação, faça exame oftalmológico.dose/fármaco conforme a fonte ↗
Exposição dérmica
- Reaquecimento: não inicie o reaquecimento sem poder garantir que será completo; recongelar tecido descongelado aumenta o dano. Coloque a área afetada em banho de água a 40 to 42 degrees Celsius por 15 to 30 minutes, até o descongelamento completo. O banho deve ser grande o bastante para imersão completa da parte lesada, sem contato com as bordas. O ideal seria banho de turbilhão. Alguns autores sugerem acrescentar antibacteriano (hexachlorophene ou povidone-iodine) à água do banho (Murphy et al, 2000).dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Corrija a hipotermia sistêmica.
- O reaquecimento pode vir com aumento da dor, exigindo analgésico narcótico.
Cuidado da ferida
- Os dedos devem ser separados por algodão absorvente estéril; não use curativo constritivo. O curativo de proteção deve ser trocado duas vezes ao dia.
- Faça hidroterapia diária por 30 to 45 minutes em água morna a 40 degrees Celsius. Isso ajuda a desbridar o tecido desvitalizado e a manter a amplitude de movimento.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- A extremidade lesada deve ficar elevada e não deve receber carga.
- Antibiótico profilático é recomendado por alguns autores.
- Bolhas claras devem ser desbridadas; bolhas hemorrágicas devem ser mantidas intactas.
- Novo desbridamento cirúrgico deve ser adiado até a demarcação por mumificação (60 to 90 days). Pode haver amputação espontânea.
- Analgésicos podem ser necessários na fase de reaquecimento; o paciente com dor intensa, porém, deve ser avaliado quanto a vasoespasmo. Arteriografia e técnicas vasculares não invasivas (Doppler, pletismografia digital, cintilografia) têm sido úteis para avaliar a extensão do vasoespasmo após o descongelamento.
- Profilaxia antitetânica conforme indicação.
- Aloe vera tópica pode reduzir a destruição tecidual e deve ser aplicada a cada 6 hours.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Ibuprofen é inibidor de tromboxano e pode ajudar a reduzir a perda tecidual. Recomenda-se dose adulta de 200 milligrams a cada 12 hours.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Agentes farmacológicos adjuvantes (heparin, vasodilatadores, prostaciclinas, inibidores da prostaglandina sintetase, trombolíticos, dextran) são controversos e não são recomendados de rotina.dose/fármaco conforme a fonte ↗
Efeitos tardios
Como o edema pulmonar pode levar até 48 hours para aparecer, o paciente com exposição conhecida deve ser observado e reexaminado periodicamente antes de se confirmar a ausência de efeito tóxico. O paciente com broncoespasmo ou edema pulmonar deve ser vigiado de perto quanto a sinais de insuficiência respiratória iminente e manejado conforme o caso. O paciente que sobrevive 48 hours em geral se recupera.dose/fármaco conforme a fonte ↗
Link para Suporte Básico e Avançado de Vida ‡ Não aprovado pela FDA para esta indicação / uso off-label * Categorias de gravidez: consulte o DailyMed quanto às categorias de gravidez e a outras informações relacionadas à gestação. Antídotos Antídotos — não há antídoto específico para o fosgênio.
Exames laboratoriais
Link para Tratamento Avançado — Manejo Médico
Destino e acompanhamento
Liberação do paciente
Pacientes assintomáticos com exame inicial normal e sem sinais de toxicidade após observação por 48 hours podem receber alta, com orientação de procurar atendimento imediatamente se surgirem sintomas (veja a Folha de Informação ao Paciente sobre Fosgênio, abaixo).dose/fármaco conforme a fonte ↗
Acompanhamento
O paciente pode ficar com dano pulmonar de longo prazo e maior suscetibilidade a infecção. A sensibilidade a irritantes pode persistir, causando broncoespasmo, inflamação crônica dos bronquíolos e Síndrome de Disfunção Reativa das Vias Aéreas (RADS), um tipo de asma induzida por químico ou irritante.
O paciente com lesão de córnea deve ser reexaminado em 24 hours.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Link para Vigilância de Possíveis Emergências Químicas
- Link para Manejo dos Falecidos
Instruções de acompanhamento
- Ligue para seu médico ou procure o pronto-socorro se aparecer qualquer sinal ou sintoma incomum nas próximas 24 hours, especialmente: tosse ou chiadodose/fármaco conforme a fonte ↗
- dificuldade para respirar ou falta de ar
- aumento da dor ou secreção na pele ou nos olhos expostos
- dor ou aperto no peito
- Nenhuma consulta de retorno é necessária, a menos que você desenvolva algum dos sintomas listados acima.
- Ligue para marcar consulta com o(a) Dr(a). _____________ do serviço ___________________. Ao ligar para marcar, diga que foi atendido no pronto-socorro do Hospital ____________ por _______________ e foi orientado a ser visto de novo em ______ dias.
- Retorne ao pronto-socorro/ambulatório em __________ (data) às ____________ AM/PM para exame de acompanhamento.
- Não faça atividades físicas vigorosas por 1 a 2 dias.
- Você pode retomar as atividades do dia a dia, incluindo dirigir e operar máquinas.
- Não retorne ao trabalho por _______ dias.
- Você pode retornar ao trabalho de forma limitada. Veja as instruções abaixo.
- Evite exposição à fumaça de cigarro por 72 hours (72 horas); a fumaça pode piorar a condição dos seus pulmões.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Evite bebidas alcoólicas por pelo menos 24 hours (24 horas); o álcool pode agravar a lesão do seu estômago ou ter outros efeitos.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Evite tomar os seguintes medicamentos: ________________________________
- Você pode continuar tomando o(s) medicamento(s) que seu(s) médico(s) prescreveu(ram) para você: _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________
- Outras instruções: _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________
- Informe ao pronto-socorro o nome e o telefone do seu médico de referência, para que o serviço possa enviar a ele o registro do seu atendimento.
- Você ou seu médico podem obter mais informação sobre o produto químico entrando em contato com: ____________________________ ou ____________________________, ou consultando os seguintes sites: ________________________; ___________________________.
Adaptado de Medical Management Guidelines for Phosgene (ATSDR/CDC)
Os PDFs são da fonte original, em inglês.