Manejo médico · CHEMM
Material para profissionais de saúde e de resposta a emergências.
Tradução referenciada das diretrizes públicas do CHEMM (Chemical Hazards Emergency Medical Management, HHS/ASPR — governo dos EUA). Não é diagnóstico nem prescrição deste portal; doses e nomes de fármacos permanecem como na fonte original, com o link ao lado — confira sempre no original antes de qualquer conduta. As recomendações da fonte não se destinam a uso médico-legal.
Tradução não oficial, feita por este portal e sem endosso, revisão ou vínculo do HHS/ASPR nem do governo dos EUA. O material de origem é de domínio público; a responsabilidade por esta versão em português é do Produtos Perigosos.
☎ 0800 722 6001 — Disque-Intoxicação (CIATox, 24h)Traduzido de Ammonia - Emergency Department/Hospital Management ↗ (CHEMM, HHS/ASPR — domínio público), fonte capturada em 2026-08-30. Em caso de dúvida, vale o original.
Amônia — manejo no pronto-socorro/hospital
- Panorama do manejo agudo
- Zonas quente/morna
- Identificação do agente
- Proteção do socorrista
- Triagem
- Vítimas em massa
- Química
- Específica do agente
- Lembretes de ABC
- Via de exposição
- Sinais e sintomas clínicos
- Diagnóstico diferencial
- Vulnerabilidades pediátricas/obstétricas
- Tratamento nas zonas quente/morna
- Remoção das vítimas
- Zona de descontaminação
- Proteção do socorrista
- Lembretes de ABC
- Antídotos
- Descontaminação básica
- Área de tratamento
- Re-triagem
- Tratamento avançado
- Antídotos específicos do agente
- Exames laboratoriais
- Destino e acompanhamento
Panorama do manejo agudo
Identificação do agente
- À temperatura ambiente, a amônia anidra é um gás incolor, altamente irritante, de odor pungente e sufocante. É mais leve que o ar e inflamável, com dificuldade, em altas concentrações e temperaturas. É facilmente comprimida e forma um líquido claro e incolor sob pressão. A amônia dissolve-se prontamente em água formando hidróxido de amônio — uma solução alcalina. A concentração das soluções aquosas de uso doméstico é tipicamente de 5% a 10% (peso:volume), mas soluções de uso comercial podem ser de 25% (peso:volume) ou mais, e são corrosivas. A amônia anidra é armazenada e transportada em recipientes pressurizados, com dispositivos de alívio de pressão, sob o rótulo "Gás Comprimido Não Inflamável". Apesar de não atender à definição de inflamável do Department of Transportation, deve ser tratada como tal.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- A amônia anidra reage com a umidade das mucosas produzindo uma solução alcalina (hidróxido de amônio). A exposição ao gás amônia ou ao hidróxido de amônio pode causar lesão corrosiva nas mucosas dos olhos, pulmões e trato gastrointestinal e na pele, pelo pH alcalino e pela natureza higroscópica da amônia.
- Os socorristas devem buscar ajuda na identificação da(s) substância(s) pela forma dos recipientes, painéis, rótulos, documentos de transporte e testes analíticos. Informação geral sobre essas técnicas de identificação está no Emergency Response Guidebook.
- Ferramentas de identificação — CHEMM-IST, WISER, propriedades químicas da amônia
- Dispositivos (exemplos) — kit HazCat de identificação de químicos industriais e metanfetamina (modelo KT1220) (sólido e líquido), crachás ChomAir (vapor ou gás), Safe Air Monitoring System (vapor ou gás), tubos detectores de gás Kitagawa (vapor), tubos de detecção de gás Sensidyne (vapor).
- Uma fonte abrangente para a seleção de equipamentos de identificação química é o Guide for the Selection of Chemical Detection Equipment for Emergency First Responders, Guide 100-06, January 2007, 3rd Edition, publicado pelo Department of Homeland Security.
Proteção do socorrista
- Pessoas expostas apenas ao gás amônia em geral não oferecem risco substancial de contaminação secundária.
- Entretanto, roupa ou pele encharcada com amônia de concentração industrial ou soluções semelhantes pode ser corrosiva para os socorristas e liberar gás amônia nocivo.
- EPI obrigatório: o nível B-C costuma ser adequado, conforme a temperatura ambiente e a distância das zonas quente/morna (acione a equipe HAZMAT para nível A quando necessário). Use luvas de borracha butílica ou outro material com tempo de permeação adequado. Atenção: o uso de equipamento de proteção pelo profissional pode assustar a criança e reduzir a colaboração dela no atendimento.
- Link para EPI, seção de segurança do socorrista no manejo hospitalar
- Link para a seção de referência de EPI em eventos agudos
Triagem específica para amônia
As seguintes pessoas expostas devem ser avaliadas em unidade de saúde:
- Pacientes sintomáticos com falta de ar persistente, tosse intensa ou aperto no peito devem ser internados e observados até ficarem sem sintomas. A lesão pulmonar pode progredir por várias horas.
- Aqueles com queimadura de olho ou pele cobrindo grande superfície.
- Aqueles que ingeriram amônia.
Liberação do paciente
- Em situação de múltiplas vítimas, pacientes assintomáticos que relatam a história de forma confiável e aqueles que sentiram apenas ardor leve de nariz, garganta, olhos e via respiratória (talvez com tosse discreta) podem ser liberados. Na maioria dos casos, ficam livres de sintomas em uma hora ou menos. Devem ser orientados a procurar atendimento imediatamente se os sintomas surgirem ou voltarem.
- Se quem atende julgar que o paciente foi exposto a quantidade significativa de amônia, mesmo com aparência clínica relativamente benigna; se o incidente envolveu poucos pacientes; ou se havia crianças pequenas entre as vítimas (sobretudo lactentes ou pacientes com necessidades especiais), elas devem ser observadas em área de "cuidado estendido" do pronto-socorro por 6-12 hrs).dose/fármaco conforme a fonte ↗
Descontaminação
- Vítimas expostas apenas ao gás amônia não oferecem risco substancial de contaminação secundária ao pessoal fora das zonas quente/morna.
- Vítimas com roupa ou pele contaminadas por hidróxido de amônio líquido podem contaminar secundariamente o pessoal de resposta por contato direto ou pela liberação de vapor de amônia.
- Link para a seção de manejo hospitalar
Via de exposição
- A inalação de amônia pode causar queimadura de nasofaringe e traqueia, edema bronquiolar e alveolar e destruição da via aérea, resultando em insuficiência respiratória. O limiar de odor da amônia é baixo o bastante para dar aviso agudo adequado da presença dela (limiar de odor = 5 ppm; OSHA PEL = 50 ppm). Contudo, a amônia causa fadiga ou adaptação olfatória, o que dificulta detectar sua presença na exposição prolongada. A amônia anidra é mais leve que o ar e por isso sobe (não se acumula em áreas baixas); o vapor do gás liquefeito, porém, é inicialmente mais pesado que o ar e pode se espalhar rente ao chão.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Contato com pele/olhos — a extensão da lesão produzida pela exposição à amônia depende da duração da exposição e da concentração do gás ou líquido. Mesmo concentrações aéreas baixas (100 ppm) de amônia podem produzir irritação rápida de olhos e nariz. Concentrações maiores podem causar lesão ocular grave. O contato com soluções concentradas de amônia, como alguns limpadores industriais (25%), pode causar lesão corrosiva séria, incluindo queimaduras de pele, dano ocular permanente ou cegueira. A extensão total do dano aos olhos pode não ficar clara até 1 week (uma semana) após a lesão. O contato com amônia liquefeita pode causar congelamento (frostbite).dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Ingestão — a ingestão de hidróxido de amônio, embora incomum, resulta em dano corrosivo de boca, garganta e estômago. A ingestão de amônia normalmente não causa intoxicação sistêmica.
Sinais e sintomas clínicos
- Respiratório — a extensão da lesão produzida pela exposição à amônia depende da duração da exposição, da concentração do gás e da profundidade da inalação. Mesmo concentrações relativamente baixas no ar (50 ppm) produzem irritação rápida de olhos, nariz e garganta, tosse e estreitamento dos brônquios. Sinais clínicos mais graves incluem estreitamento imediato da garganta e edema, causando obstrução da via aérea superior e acúmulo de líquido nos pulmões. Isso pode levar a níveis baixos de oxigênio no sangue e alteração do estado mental. Também pode haver queimadura da mucosa da árvore traqueobrônquica. Pode haver laringoespasmo de início imediato com parada respiratória.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Dérmico — soluções aquosas diluídas (menos de 5%) raramente causam queimadura grave, mas podem ser moderadamente irritantes. A exposição a vapor ou solução concentrada pode causar dor, inflamação, bolhas, necrose e queimadura profunda e penetrante, sobretudo em áreas de pele úmida. O contato da pele com amônia líquida comprimida (armazenada a -28 °F) causa lesão por congelamento e também pode resultar em queimadura grave com ulceração profunda.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Ocular — a amônia tem tendência maior que qualquer outro álcali a penetrar e lesar os olhos. Mesmo concentrações baixas de vapor (100 ppm) produzem irritação ocular rápida. O contato com concentrações altas do gás ou com hidróxido de amônio concentrado pode causar edema e descamação das células da superfície ocular, o que pode resultar em cegueira temporária ou permanente.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Gastrointestinal — náusea, vômito e dor abdominal são sintomas comuns após ingestão de amônia. A ingestão de amônia de uso doméstico (5-10%) já resultou em queimadura esofágica grave. Dor esofágica à deglutição, sialorreia e recusa alimentar sugerem lesão mais significativa. Dor torácica retroesternal, dor abdominal e rigidez sugerem lesão profunda e possível perfuração de esôfago e/ou estômago.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Link para Síndromes Tóxicas
- Link para Avaliação Primária e Secundária
Diagnóstico diferencial
- O fosgênio se distingue pelo cheiro em concentrações altas e pelo início tardio do edema pulmonar.
- Os agentes de controle de distúrbios causam ardor agudo nos olhos e na via aérea superior, sem progressão dos sintomas. Não causam laringoespasmo, exceto em doses altas, e o paciente nunca desenvolve edema pulmonar periférico.
- Os agentes neurotóxicos provocam secreções aquosas e insuficiência respiratória, mas com uma série de outros sintomas — miose, convulsão, rapidez de instalação — que os distinguem dos agentes pulmonares.
- A toxicidade respiratória dos vesicantes (a mostarda, por exemplo) costuma ser tardia, mas atinge a via aérea central, e não a periférica. A toxicidade por vesicante grave o bastante para causar dispneia costuma causar necrose de via aérea, muitas vezes com obstrução da via aérea superior.
- Link para a ferramenta CHEMM-IST (Chemical Hazards Emergency Medical Management Intelligent Syndromes Tool)
Tratamento
- O tratamento é de suporte — não há antídoto específico para a amônia.
- Link para o Manejo Hospitalar
- Link para Suporte Básico e Avançado de Vida
- Link para Suporte Básico e Avançado de Vida Pediátrico
- Link para a seção de Medicações-Chave do Cuidado Agudo — Adulto
- Link para a seção de Medicações-Chave do Cuidado Agudo — Pediátrico
- Link para Avaliação Primária e Secundária
Zonas quente/morna
Estabeleça as zonas quente/morna — incluindo triagem das zonas, descontaminação e locais de re-triagem.
Se pacientes contaminados chegarem ao pronto-socorro, devem ser descontaminados antes de entrar na unidade. A descontaminação só pode ocorrer dentro do hospital se houver instalação de descontaminação com pressão de ar negativa e ralos de piso para conter a contaminação.
Os socorristas devem estar treinados e devidamente paramentados antes de entrar nas zonas quente/morna. Se o equipamento adequado não estiver disponível, ou se não houve treinamento no seu uso, peça ajuda conforme os guias operacionais de emergência locais (EOG). Fontes de ajuda: equipes HAZMAT locais, parceiros de ajuda mútua, o sistema metropolitano de resposta (MMRS) mais próximo e o U.S. Soldier and Biological Chemical Command (SBCCOM) - Edgewood Research Development and Engineering Center. O SBCCOM atende das 7:00 AM às 4:30 PM EST pelo 410-671-4411 e das 4:30 PM às 7:00 AM EST pelo 410-278-5201; peça o Staff Duty Officer.
Zonas quente/morna
Identificação do agente
- À temperatura ambiente, a amônia anidra é um gás incolor, altamente irritante, de odor pungente e sufocante. É mais leve que o ar e inflamável, com dificuldade, em altas concentrações e temperaturas. É facilmente comprimida e forma um líquido claro e incolor sob pressão. A amônia dissolve-se prontamente em água formando hidróxido de amônio — uma solução alcalina. A concentração das soluções aquosas de uso doméstico é tipicamente de 5% a 10% (peso:volume), mas soluções de uso comercial podem ser de 25% (peso:volume) ou mais, e são corrosivas. A amônia anidra é armazenada e transportada em recipientes pressurizados, com dispositivos de alívio de pressão, sob o rótulo "Gás Comprimido Não Inflamável". Apesar de não atender à definição de inflamável do Department of Transportation, deve ser tratada como tal.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- A amônia anidra reage com a umidade das mucosas produzindo uma solução alcalina (hidróxido de amônio). A exposição ao gás amônia ou ao hidróxido de amônio pode causar lesão corrosiva nas mucosas dos olhos, pulmões e trato gastrointestinal e na pele, pelo pH alcalino e pela natureza higroscópica da amônia.
- Os socorristas devem buscar ajuda na identificação da(s) substância(s) pela forma dos recipientes, painéis, rótulos, documentos de transporte e testes analíticos. Informação geral sobre essas técnicas de identificação está no Emergency Response Guidebook.
- Ferramentas de identificação — CHEMM-IST, WISER, propriedades químicas da amônia
- Dispositivos (exemplos) — kit HazCat de identificação de químicos industriais e metanfetamina (modelo KT1220) (sólido e líquido), crachás ChomAir (vapor ou gás), Safe Air Monitoring System (vapor ou gás), tubos detectores de gás Kitagawa (vapor), tubos de detecção de gás Sensidyne (vapor).
- Uma fonte abrangente para a seleção de equipamentos de identificação química é o Guide for the Selection of Chemical Detection Equipment for Emergency First Responders, Guide 100-06, January 2007, 3rd Edition, publicado pelo Department of Homeland Security.
Proteção do socorrista
Proteção respiratória e da pele: recomenda-se equipamento autônomo de respiração (SCBA) de pressão positiva sob demanda, nível A, nas situações de resposta que envolvam exposição a níveis potencialmente inseguros de amônia líquida ou vapor.
EPI exigido: nível B-C
Muito provavelmente EPIs B-C serão adequados. Nível A pode ser exigido se o hospital fica perto do local da exposição e/ou há preocupação com exposição a vapor (acione HAZMAT para EPIs nível A).
Proteção respiratória: recomenda-se equipamento autônomo de respiração (SCBA) de pressão positiva nas situações de resposta que envolvam exposição a níveis potencialmente inseguros de amônia.
Proteção da pele: recomenda-se vestimenta de proteção química pelo potencial de efeitos inflamatórios e corrosivos.
- Nível A — a vestimenta de proteção de mais alto nível: SCBA com traje totalmente encapsulado estanque a vapor, com luvas e botas acopladas (os cilindros duram de 1/2 hour a 1 hour — meia a uma hora).dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Nível B — exige SCBA, mas com menor proteção de pele. Trajes nível B são resistentes a químicos, projetados para respingos de líquidos, não para riscos de gás ou vapor. Um soldado jovem aguenta cerca de 2 hours (2 horas) num dia quente com mangueira de ar externa.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Nível C — semelhante ao B, exceto pelo tipo de proteção respiratória: o SCBA é substituído por um respirador purificador de ar.
- Nível D — usado quando não há risco respiratório nem consideração importante de risco à pele. Para o pessoal hospitalar, o nível D inclui pijama cirúrgico, óculos de segurança, propés e possivelmente protetor facial.
Link para a seção de referência de EPI em eventos agudos
Triagem
A triagem de vítimas químicas baseia-se na capacidade de andar, no estado respiratório, na idade e nas lesões convencionais associadas. O oficial de triagem precisa conhecer o curso natural de cada lesão, os recursos médicos imediatamente disponíveis, o fluxo atual e provável de vítimas e as capacidades de evacuação médica.
Padrões de triagem de vítimas em massa
- SALT Mass Casualty Triage — recomendação do governo dos EUA
- Algoritmo START de triagem de adultos
- Algoritmo JumpSTART de triagem pediátrica
Princípios gerais de triagem para exposições químicas
- Confira o cartão/etiqueta de triagem quanto a tratamento ou triagem anteriores.
- Procure sinais de trauma associado ou de lesão por explosão.
- Observe sudorese, respiração laboriosa, tosse/vômito e secreções.
- A vítima grave é triada como imediata quando precisa de ventilação assistida.
- Em lesão por explosão ou outro trauma em que haja dúvida sobre exposição química, a vítima deve ser classificada como imediata na maioria dos casos. A vítima de explosão apresenta efeitos tardios, como SDRA, entre outros.
- Vítima leve/moderada: autoajuda ou ajuda mútua, triagem como tardia ou mínima, e a liberação depende de acompanhamento e orientações rigorosos.
- Havendo exposição química que possa causar sinais e sintomas tardios porém graves, a supertriagem é considerada adequada, encaminhando a vítima a serviços capazes de observar e manejar sintomas de início tardio.
- Nos eventos com múltiplas vítimas, a categoria expectante reúne quem sofreu parada cardíaca, parada respiratória ou convulsões contínuas de imediato. Não se devem gastar recursos com essas vítimas quando há grande número de pessoas precisando de cuidado e transporte com recursos escassos.
- Dentro de uma mesma categoria, priorize a criança e a gestante em relação ao adulto não gestante.
Triagem específica para amônia
As seguintes pessoas expostas devem ser avaliadas em unidade de saúde:
- Pacientes sintomáticos com falta de ar persistente, tosse intensa ou aperto no peito devem ser internados e observados até ficarem sem sintomas. A lesão pulmonar pode progredir por várias horas.
- Aqueles com queimadura de olho ou pele cobrindo grande superfície.
- Aqueles que ingeriram amônia.
Liberação do paciente
- Em situação de múltiplas vítimas, pacientes assintomáticos que relatam a história de forma confiável e aqueles que sentiram apenas ardor leve de nariz, garganta, olhos e via respiratória (talvez com tosse discreta) podem ser liberados. Na maioria dos casos, ficam livres de sintomas em uma hora ou menos. Devem ser orientados a procurar atendimento imediatamente se os sintomas surgirem ou voltarem.
- Se quem atende julgar que o paciente foi exposto a quantidade significativa de amônia, mesmo com aparência clínica relativamente benigna; se o incidente envolveu poucos pacientes; ou se havia crianças pequenas entre as vítimas (sobretudo lactentes ou pacientes com necessidades especiais), elas devem ser observadas em área de "cuidado estendido" do pronto-socorro por 6-12 hrs).dose/fármaco conforme a fonte ↗
Lembretes de ABC
Lembretes de ABC/ALS — estabilização inicial: avalie e apoie via aérea, respiração e circulação. Intube a traqueia em caso de comprometimento respiratório (evite intubação nasotraqueal às cegas ou uso de obturador esofágico). Use bolsa-válvula-máscara se não conseguir garantir a via aérea. Mantenha circulação adequada. Se houver suspeita de trauma, mantenha a imobilização cervical manual e aplique colar cervical descontaminável e prancha rígida quando possível. Comprima diretamente para conter sangramento arterial, se houver.
- Link para Suporte Básico e Avançado de Vida
- Link para Suporte Básico e Avançado de Vida Pediátrico
- Link para a seção de Medicações-Chave do Cuidado Agudo — Adulto
- Link para a seção de Medicações-Chave do Cuidado Agudo — Pediátrico
- Link para Avaliação Primária e Secundária
Via de exposição
- A inalação de amônia pode causar queimadura de nasofaringe e traqueia, edema bronquiolar e alveolar e destruição da via aérea, resultando em insuficiência respiratória. O limiar de odor da amônia é baixo o bastante para dar aviso agudo adequado da presença dela (limiar de odor = 5 ppm; OSHA PEL = 50 ppm). Contudo, a amônia causa fadiga ou adaptação olfatória, o que dificulta detectar sua presença na exposição prolongada. A amônia anidra é mais leve que o ar e por isso sobe (não se acumula em áreas baixas); o vapor do gás liquefeito, porém, é inicialmente mais pesado que o ar e pode se espalhar rente ao chão.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Contato com pele/olhos — a extensão da lesão produzida pela exposição à amônia depende da duração da exposição e da concentração do gás ou líquido. Mesmo concentrações aéreas baixas (100 ppm) de amônia podem produzir irritação rápida de olhos e nariz. Concentrações maiores podem causar lesão ocular grave. O contato com soluções concentradas de amônia, como alguns limpadores industriais (25%), pode causar lesão corrosiva séria, incluindo queimaduras de pele, dano ocular permanente ou cegueira. A extensão total do dano aos olhos pode não ficar clara até 1 week (uma semana) após a lesão. O contato com amônia liquefeita pode causar congelamento (frostbite).dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Ingestão — a ingestão de hidróxido de amônio, embora incomum, resulta em dano corrosivo de boca, garganta e estômago. A ingestão de amônia normalmente não causa intoxicação sistêmica.
Sinais e sintomas clínicos
Respiratório — a extensão da lesão produzida pela exposição à amônia depende da duração da exposição, da concentração do gás e da profundidade da inalação. Mesmo concentrações relativamente baixas no ar (50 ppm) produzem irritação rápida de olhos, nariz e garganta, tosse e estreitamento dos brônquios. Sinais clínicos mais graves incluem estreitamento imediato da garganta e edema, causando obstrução da via aérea superior e acúmulo de líquido nos pulmões. Isso pode levar a níveis baixos de oxigênio no sangue e alteração do estado mental. Também pode haver queimadura da mucosa da árvore traqueobrônquica. Pode haver laringoespasmo de início imediato com parada respiratória.dose/fármaco conforme a fonte ↗
Dérmico — soluções aquosas diluídas (menos de 5%) raramente causam queimadura grave, mas podem ser moderadamente irritantes. A exposição a vapor ou solução concentrada pode causar dor, inflamação, bolhas, necrose e queimadura profunda e penetrante, sobretudo em áreas de pele úmida. O contato da pele com amônia líquida comprimida (armazenada a -28 °F) causa lesão por congelamento e também pode resultar em queimadura grave com ulceração profunda.dose/fármaco conforme a fonte ↗
Ocular — a amônia tem tendência maior que qualquer outro álcali a penetrar e lesar os olhos. Mesmo concentrações baixas de vapor (100 ppm) produzem irritação ocular rápida. O contato com concentrações altas do gás, ou com hidróxido de amônio concentrado, pode causar edema e descamação das células da superfície ocular, o que pode resultar em cegueira temporária ou permanente.dose/fármaco conforme a fonte ↗
Gastrointestinal — náusea, vômito e dor abdominal são sintomas comuns após ingestão de amônia. A ingestão de amônia de uso doméstico (5-10%) já resultou em queimadura esofágica grave. Dor esofágica à deglutição, sialorreia e recusa alimentar sugerem lesão mais significativa. Dor torácica retroesternal, dor abdominal e rigidez sugerem lesão profunda e possível perfuração de esôfago e/ou estômago.dose/fármaco conforme a fonte ↗
Link para Síndromes Tóxicas
Link para Avaliação Primária e Secundária
Diagnóstico diferencial
- O fosgênio se distingue pelo cheiro em concentrações altas e pelo início tardio do edema pulmonar.
- Os agentes de controle de distúrbios causam ardor agudo nos olhos e na via aérea superior, sem progressão dos sintomas. Não causam laringoespasmo, exceto em doses altas, e o paciente nunca desenvolve edema pulmonar periférico.
- Os agentes neurotóxicos provocam secreções aquosas e insuficiência respiratória, mas com uma série de outros sintomas — miose, convulsão, rapidez de instalação — que os distinguem dos agentes pulmonares.
- A toxicidade respiratória dos vesicantes (a mostarda, por exemplo) costuma ser tardia, mas atinge a via aérea central, e não a periférica. A toxicidade por vesicante grave o bastante para causar dispneia costuma causar necrose de via aérea, muitas vezes com obstrução da via aérea superior.
- Link para a ferramenta CHEMM-IST (Chemical Hazards Emergency Medical Management Intelligent Syndromes Tool)
Vulnerabilidades pediátricas/obstétricas/geriátricas
- Lactentes e crianças pequenas não têm coordenação motora para escapar do local do incidente.
- O vapor do gás liquefeito é inicialmente mais pesado que o ar e pode se espalhar rente ao chão, que é a zona de respiração das crianças pequenas.
- Crianças expostas à amônia provavelmente terão os mesmos efeitos clínicos do adulto, com gravidade maior.
- A exposição pode ser maior pelo número mais alto de respirações por minuto na criança.
- O menor diâmetro da via aérea, o estreitamento subglótico anatômico, a epiglote em ômega, a língua relativamente grande e as costelas e traqueia menos rígidas tornam a criança mais vulnerável à lesão induzida pelo agente — estridor, broncoespasmo, secreção abundante.
- Vesicantes e corrosivos produzem lesão maior em crianças, pela queratinização insuficiente da pele.
- A criança, pela superfície corporal relativamente maior, perde calor rapidamente no banho. Assim, a descontaminação pode causar hipotermia se não forem usadas lâmpadas de aquecimento e outros equipamentos de aquecimento.
- A menor reserva de líquidos aumenta o risco de desidratação rápida ou choque na criança após vômitos e diarreia.
- Link para Avaliação Primária e Secundária
Tratamento nas zonas quente/morna
Antídotos — não há antídoto específico para amônia.
Suporte
Intube a traqueia em caso de coma ou comprometimento respiratório. Se não for possível, faça cricotireoidostomia ou puncione a membrana cricotireóidea com cateter 14 gauge (se houver equipamento e treinamento para isso).dose/fármaco conforme a fonte ↗
Link — punção da membrana cricotireóidea com cateter 14 gaugedose/fármaco conforme a fonte ↗
Trate o paciente com broncoespasmo usando broncodilatador em aerossol. O uso de agentes sensibilizantes brônquicos em situações de exposição a múltiplos químicos pode acrescentar risco. Avalie a condição do miocárdio antes de escolher o tipo de broncodilatador. Agentes sensibilizantes cardíacos podem ser apropriados; contudo, seu uso após exposição a certos químicos pode aumentar o risco de arritmia cardíaca (sobretudo no idoso). Não se sabe que a intoxicação por amônia acrescente risco ao uso de sensibilizantes brônquicos ou cardíacos.
Considere racemic epinephrine ‡ em aerossol para a criança que desenvolve estridor. Dose 0.25-0.75 mL of 2.25% racemic epinephrine solution in 2.5 cc water, repetindo a cada 20 minutes conforme a necessidade, com cautela pela variabilidade miocárdica.dose/fármaco conforme a fonte ↗
Pacientes comatosos, hipotensos, com convulsão ou arritmia cardíaca devem ser tratados conforme os protocolos de suporte avançado de vida (ALS).
- Link para Suporte Básico e Avançado de Vida
- Link para Suporte Básico e Avançado de Vida Pediátrico
- Link para a seção de Medicações-Chave do Cuidado Agudo — Adulto
- Link para a seção de Medicações-Chave do Cuidado Agudo — Pediátrico
- Link para Avaliação Primária e Secundária
‡ Não aprovado pela FDA para esta indicação / uso off-label
Remoção das vítimas
Se as vítimas conseguem andar, conduza-as para fora das zonas quente/morna até a zona de descontaminação. Vítimas que não conseguem andar podem ser removidas em pranchas ou macas; se não houver, carregue ou arraste as vítimas com cuidado até a segurança. Havendo grande número de vítimas, e se os recursos permitirem, estabeleça corredores de descontaminação separados para vítimas que andam e que não andam.
Considere o manejo apropriado de crianças contaminadas quimicamente, como medidas para reduzir a ansiedade de separação quando a criança é separada de um dos pais ou outro adulto.
- Link para Manejo dos Falecidos
Zona de descontaminação
Vítimas expostas apenas ao gás amônia não representam risco substancial de contaminação secundária ao pessoal fora das zonas quente/morna. Vítimas com roupa ou pele contaminadas com hidróxido de amônio líquido podem contaminar secundariamente por contato direto ou pelo vapor de amônia liberado.
A descontaminação rápida é crítica para evitar mais absorção pelo paciente e a exposição de outros.
Zona de descontaminação
Proteção do socorrista
O pessoal deve continuar usando o mesmo nível de proteção exigido nas zonas quente/morna.
Link para Zonas quente/morna — Proteção do socorrista.
Se os níveis de exposição forem considerados seguros, a descontaminação pode ser feita por pessoal com nível de proteção inferior ao usado nas zonas quente/morna. Porém, não tente reanimação sem barreira.
Lembretes de ABC
A rapidez é crítica. Se a vítima está sintomática, institua imediatamente medidas de suporte de vida de emergência. O tratamento deve ser dado simultaneamente à descontaminação. Garanta rapidamente via aérea pérvia e boa ventilação. Assista a ventilação com bolsa-válvula-máscara com canister ou filtro de ar, se necessário (evite intubação nasotraqueal às cegas ou obturador esofágico). Mantenha circulação adequada. Estabilize a coluna cervical com colar descontaminável e prancha se houver suspeita de trauma. Pressão direta para controlar sangramento importante, se presente.
- Link para o Tratamento de Suporte nas zonas quente/morna
- Link para Suporte Básico e Avançado de Vida
- Link para Suporte Básico e Avançado de Vida Pediátrico
- Link para a seção de Medicações-Chave do Cuidado Agudo — Adulto
- Link para a seção de Medicações-Chave do Cuidado Agudo — Pediátrico
- Link para Avaliação Primária e Secundária
Antídotos
Antídotos — não há antídoto específico para amônia.
Descontaminação básica
Considerações de montagem
- Use instruções afixadas, ilustradas e escritas, para que a vítima se descontamine sozinha quando puder, com sinalização multilíngue adequada ao local.
- Ensaque em saco duplo a roupa contaminada (coloque aparelho auditivo e objetos de valor em saco pequeno). Ponha o saco no recipiente ao lado dos chuveiros.
- A vítima que tiver condições pode participar da própria descontaminação.
- Criança e idoso têm risco maior de hipotermia — ofereça chuveiro morno e cobertores.
- A privacidade deve ser considerada, quando possível.
- O sistema de descontaminação deve servir a crianças de todas as idades, à criança desacompanhada, à criança não deambulante e à criança com necessidades especiais, e permitir que as famílias fiquem juntas.
- Use instruções passo a passo e amigáveis para a criança, explicando à criança e aos pais o que precisam fazer, por quê e o que esperar.
- Leve em conta que o lactente molhado fica escorregadio e vai precisar de um meio de atravessar a descontaminação — baldes plásticos, cadeirinhas, macas.
- Defina uma área de espera e destaque pessoal para apoiar e supervisionar as crianças.
- Proporção de pessoal recomendada para crianças desacompanhadas, por faixa etária: 1 adulto para 4 lactentes
- 1 adulto para 10 crianças em idade pré-escolar
- 1 adulto para 20 crianças em idade escolar
Instruções de lavagem
- Se a descontaminação for demorar bastante, faça a vítima enxaguar com água a pele exposta e tirar a roupa (kits de roupa descartável devem estar disponíveis).
- Retire toda a roupa (ao menos até as peças íntimas) e coloque-a em saco de polietileno resistente de 6-mil, identificado (retirar a roupa, ao menos até a roupa íntima, reduz a contaminação da vítima em 85%).dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Se a roupa foi exposta à contaminação, é preciso cuidado ao despir para não transferir o agente químico para a pele — qualquer peça que teria de passar pela cabeça deve ser cortada, não puxada por cima da cabeça.
- Havendo suspeita de exposição ao agente líquido, corte e retire toda a roupa e lave a pele imediatamente com água e sabão.
- Se a exposição foi certamente só a vapor, retire a roupa externa e lave a pele exposta com água e sabão.
- Cubra toda ferida aberta com filme plástico antes da descontaminação da cabeça aos pés (atenção especial às feridas abertas, porque a amônia é prontamente absorvida pela pele escoriada).
- Lave a pele exposta e o cabelo com água limpa por 2 to 3 minutes e depois lave duas vezes com sabão neutro. Enxágue bem com água. Cuidado para não romper a pele do paciente durante a descontaminação.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Irrigue o olho exposto ou irritado com água limpa ou soro por pelo menos 15 minutes, inclinando a cabeça para o lado, afastando as pálpebras com os dedos e derramando água devagar nos olhos. Retire a lente de contato se sair com facilidade, sem trauma adicional ao olho. Havendo suspeita de material corrosivo, ou dor ou lesão evidente, mantenha a irrigação durante a transferência da vítima para a Zona de Apoio.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Não irrigue olho que sofreu lesão por congelamento.
- Raspar com uma espátula de madeira, como abaixador de língua ou palito de picolé, remove o agente em maior quantidade.
- Cuidado — muita gente toma banho como toma em casa, em vez de fazer uma descontaminação rápida do corpo. Esfregar com força demais agrava a lesão da pele e das feridas abertas.
- Usar água em grande quantidade, por si só, é muito eficaz (limite a pressão em lactentes).
- Se a água for limitada e não houver chuveiros, uma alternativa de descontaminação é usar pós absorventes, como farinha, talco ou Fuller's earth (terra de Fuller).dose/fármaco conforme a fonte ↗
- A certificação da descontaminação se dá assim: passagem pela instalação de descontaminação e uso de dispositivo próprio para confirmar o sucesso, como um detector de gás Draeger que detecte gás amônia. Uma fonte abrangente para escolher equipamento de identificação química é o Guide for the Selection of Chemical Detection Equipment for Emergency First Responders , Guide 100-06, January 2007, 3rd Edition, publicado pelo Department of Homeland Security.
- Se ainda houver contaminação, repita o procedimento de banho.
- A vítima deve ser mantida aquecida e em repouso; qualquer atividade depois da exposição pode aumentar a chance de morte.
Descontaminação do socorrista:
- Comece lavando o EPI do socorrista com solução de água e sabão e escova macia. Sempre no sentido de cima para baixo (da cabeça aos pés). Não deixe de alcançar todas as áreas, principalmente as dobras da roupa. Lave e enxágue (com água fria ou morna) até remover completamente o contaminante.
- Retire o EPI enrolando para baixo (da cabeça aos pés) e evite puxá-lo por cima da cabeça. Retire o SCBA depois dos demais EPIs.
- Coloque todo o EPI em sacos de polietileno resistentes de 6-mil, identificados.
Descontaminação de lactentes e crianças
- Vídeo: Descontaminação de Lactentes e Crianças (HHS/AHRQ, Children's Hospital Boston) ( Assistir ao vídeo ) O material Decontamination of Children (HHS/AHRQ) demonstra a descontaminação passo a passo em tempo real e treina o profissional nas particularidades do atendimento a lactentes e crianças, que exigem atenção especial na descontaminação.
Manejo de feridas
- Link para Manejo de Feridas
Referências
- Medical Management of Chemical Casualties Handbook, 2nd edition, September, 1995
- Braue EH, Boardman CH. Decontamination of Chemical Casualties
- Jagminas L. CBRNE - Chemical Decontamination (eMedicine)
Área de tratamento
Área de tratamento
Re-triagem da área de tratamento
Após a descontaminação, o paciente deve ser reavaliado, observando mudança de categoria de triagem (se houver) e a necessidade ou o ajuste da terapia de suporte (ver Lembretes de ABC / Tratamento Avançado) .
Lembretes de ABC
Avalie rapidamente a permeabilidade da via aérea. Se houver suspeita de trauma, mantenha a imobilização cervical manual e aplique colar cervical e prancha rígida quando possível. Garanta respiração e pulso adequados. Registre a saturação de oxigênio. Coloque em monitor cardíaco.
Link para Avaliação Primária e Secundária
Se o paciente estiver sintomático, institua imediatamente as medidas de suporte de vida de emergência.
Tratamento avançado
Sinais e sintomas clínicos — Link para sinais e sintomas clínicos
Exposição por inalação
- O diagnóstico da toxicidade aguda pela amônia é sobretudo clínico, baseado nos sintomas de irritação e na dificuldade respiratória. Ainda assim, os exames laboratoriais são úteis para monitorar o paciente e avaliar complicações.
- Se surgir tosse ou dificuldade para respirar, avalie hipóxia, irritação da via respiratória, bronquite, pneumonite e edema pulmonar. Radiografia de tórax e oximetria de pulso (e/ou gasometria arterial) são recomendadas quando se suspeita de exposição inalatória significativa.
- A monitorização por ECG deve ser feita em pacientes com exposição significativa à amônia.
- A inalação de concentrações mais altas leva muito rapidamente à insuficiência respiratória. Isso pode ocorrer quase de imediato, com estridor inicial, seguido logo de sibilos, estertores, hemoptise e depois edema pulmonar ( incluindo Lesão Pulmonar Aguda ou Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo ). Pode haver laringoespasmo de início imediato com parada respiratória.
- Lesão Pulmonar Aguda (ALI) e Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (ARDS): a ALI/ARDS é um processo de edema pulmonar não hidrostático com hipoxemia arterial resultante, associado a várias causas (inclusive a toxicidade grave pela amônia). A hipertensão atrial esquerda deve ser descartada.
- A definição padrão de ALI identifica os pacientes com infiltrado pulmonar bilateral e hipoxemia arterial pela concentração de oxigênio arterial dividida pela fração inspirada de oxigênio (ou seja, relação PaO2 menor que 300). Se a relação Pa02/Fi02 do paciente for menor que 200, pode-se fazer o diagnóstico de ARDS.
- Link para a literatura de visão geral sobre diagnóstico e manejo de ALI e ARDS
Tratamento não farmacológico
- Administre oxigênio suplementar umidificado a 100%, faça intubação endotraqueal e ofereça ventilação assistida conforme a necessidade.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Posicionamento — 60-70% dos pacientes com ARDS melhoram a oxigenação em posição prona.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Mantenha ventilação e oxigenação adequadas com monitorização frequente de gasometria arterial e/ou oximetria de pulso. Se for preciso FIO2 alta para manter a oxigenação adequada, pode ser necessária ventilação mecânica com pressão positiva ao final da expiração (PEEP); se houver ARDS, prefere-se ventilação com volume corrente baixo (6 milliliters/kilogram).dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Para minimizar barotrauma e outras complicações, use a menor PEEP possível, mantendo oxigenação adequada.
- Link — abordagens no manejo da insuficiência respiratória aguda em crianças
- O uso de volume corrente menor (6 milliliters/kilogram) e de pressões de platô mais baixas (30 cm de água ou menos) associou-se a menor mortalidade e a desmame mais rápido da ventilação mecânica em pacientes com ARDS (Brower et al, 2000). Apesar da falta de tratamento farmacológico específico, a ventilação protetora reduziu a mortalidade da ALI de 40% em 2000 para 25% em 2006.dose/fármaco conforme a fonte ↗
Terapia medicamentosa para exposição por inalação ‡ *
Experimentos em animais e a experiência humana anedótica sugerem que agonistas beta-adrenérgicos inalados, aminophylline, corticosteroides, terbutaline, outros agonistas beta2, N-acetyl cysteine e ibuprofen podem ser eficazes no tratamento do edema pulmonar induzido por amônia. As doses ótimas desses agentes não foram estabelecidas (uso off label) ‡ *dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Agonistas beta-adrenérgicos inalados se houver broncoespasmo — considere racemic epinephrine em aerossol para a criança que desenvolve estridor. Dose 0.25-0.75 mL of 2.25% racemic epinephrine solution in 2.5 cc water, repetindo a cada 20 minutes conforme a necessidade, com cautela pela variabilidade miocárdica. Avalie a condição do miocárdio antes de escolher o tipo de broncodilatador. Agentes sensibilizantes cardíacos podem ser apropriados; contudo, seu uso após exposição a certos químicos pode aumentar o risco de arritmia cardíaca (sobretudo no idoso). Não se sabe que a intoxicação por amônia acrescente risco a essas terapias. O uso de sensibilizantes brônquicos em situações de exposição a múltiplos químicos pode acrescentar risco.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Aminophylline IV é agente de segunda linha que pode ajudar — dose de ataque de 5-6 milligram/kilogram, seguida de 1 milligram/kilogram a cada 8 to 12 hours para manter nível sérico de 10 to 20 micrograms/milliliter.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Methylprednisolone — crianças 2 mg/kg de ataque e depois 2 mg/kg divididos Q6h; adultos 250 mg Q6H. O corticosteroide provavelmente é mais útil em pacientes com doença reativa das vias aéreas latente ou manifesta.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Agonistas beta2-adrenérgicos, como terbutaline e isoetharine, em doses convencionais.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- N-acetylcysteine — até 10 milliliters de uma solução a 20% em aerossol.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Ibuprofen 800 milligrams (15 mg/kg em crianças) a cada 8 to 12 hours, por pelo menos uma dose.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Antibióticos só são indicados quando há evidência de infecção. Mais de 60% dos pacientes com ARDS têm infecção pulmonar (nosocomial).dose/fármaco conforme a fonte ↗
Exposição por ingestão
- Êmese induzida e lavagem gástrica são contraindicadas, para não expor mais o esôfago. Agentes neutralizantes são contraindicados, por se considerar que ocorreria reação exotérmica.
- A passagem às cegas de sonda nasogástrica é contraindicada, salvo liberação do gastroenterologista.
- Radiografias de pescoço em perfil e de tórax devem ser feitas diante de qualquer suspeita de perfuração.
- Antes da intubação para esofagoscopia, deve-se avaliar a lesão laringotraqueal.
- A esofagoscopia deve ser feita em todo paciente com suspeita de ingestão de cáustico (cerca de 48 hours após o evento), para delimitar a extensão da lesão esofágica. Em 48 hours após a ingestão já passou tempo suficiente para a lesão se demarcar, permitindo classificar a gravidade de forma confiável.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- A esofagoscopia permite passar a sonda nasogástrica sob visão direta. Além de servir à nutrição enteral, a sonda ajuda a manter a luz do esôfago pérvia.
- Terapia antirrefluxo, antibióticos e corticosteroides são os outros braços do manejo. O uso rotineiro de terapia antirrefluxo é recomendado para evitar lesão secundária associada ao refluxo (tipicamente inibidores de bomba de prótons por 6 weeks no total).dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Há evidência sugerindo menor taxa de formação de estenose com uso de antibiótico. Alguns pesquisadores, porém, sugerem que o antibiótico favorece o influxo de germes gram-negativos sem reduzir a taxa de estenose, além de poder mascarar infecção bacteriana grave. Um esquema antibiótico de rotina inclui cefalosporina de terceira geração por 48 hours e, se houver tolerância à via oral, troca por clindamycin por 6 weeks.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- O papel adicional do corticosteroide é controverso. Embora vários estudos mostrem que ele modifica a resposta inflamatória no local da lesão, múltiplos ensaios e revisões mostraram benefício pequeno ou nulo de doses variadas na redução da taxa de estenose. As lesões grau 2 são aquelas em que o corticosteroide é considerado mais útil para prevenir estenose. Muitos clínicos justificam seu uso quando tratam ao mesmo tempo edema de via aérea superior/lesão laríngea e lesão esofágica. Uma abordagem terapêutica é usar dexamethasone nas 48 hours anteriores à esofagoscopia, passando depois à dose oral equivalente e mantendo a terapia por mais 1 week.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Apesar do tratamento, a estenose ocorre em 10% das queimaduras cáusticas do esôfago. Metade das queimaduras grau dois evolui com estenose de longo prazo.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- O manejo da estenose esofágica é primeiro endoluminal e, se este falhar, recorre-se à cirurgia de substituição do esôfago.
Fluidos
- Soluções cristaloides devem ser administradas com cautela, EVITANDO balanço hídrico positivo. Monitore o estado volêmico por acesso central ou cateter de Swan Ganz(R).
- Diuréticos podem ser necessários para evitar balanço hídrico positivo, mas são quase sempre contraindicados. O edema pulmonar por inalação de amônia não é de origem hipervolêmica; o paciente tende a estar hipovolêmico e hipotenso . Dopamine pode ser necessária no tratamento de hipotensão, bradicardia ou insuficiência renal.dose/fármaco conforme a fonte ↗
Exposição ocular
- O olho exposto à amônia deve ser irrigado por pelo menos 15 minutes, ou até o pH do fluido conjuntival voltar ao normal. Teste a acuidade visual, examine os olhos quanto a dano de córnea e trate adequadamente. Consulte o oftalmologista imediatamente nos casos de lesão de córnea. O paciente com lesão de córnea deve ser reexaminado em 24 hours.dose/fármaco conforme a fonte ↗
Exposição dérmica
- Se o gás ou a solução de amônia teve contato com a pele, pode haver queimadura química; trate como queimadura térmica.
- A lesão por congelamento não é comumente relatada, mas é risco potencial.
- Reaquecimento: não inicie o reaquecimento sem poder garantir que será completo; recongelar tecido descongelado aumenta o dano. Coloque a área afetada em banho de água a 40 to 42 degrees Celsius por 15 to 30 minutes, até o descongelamento completo. O banho deve ser grande o bastante para imersão completa da parte lesada, sem contato com as bordas. O ideal seria banho de turbilhão. Alguns autores sugerem acrescentar antibacteriano (hexachlorophene ou povidone-iodine) à água do banho (Murphy et al, 2000).dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Corrija a hipotermia sistêmica.
- O reaquecimento pode vir com aumento da dor, exigindo analgésico narcótico.
Cuidado da ferida
- Os dedos devem ser separados por algodão absorvente estéril; não use curativo constritivo. O curativo de proteção deve ser trocado duas vezes ao dia.
- Faça hidroterapia diária por 30 to 45 minutes em água morna a 40 degrees Celsius. Isso ajuda a desbridar o tecido desvitalizado e a manter a amplitude de movimento.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- A extremidade lesada deve ficar elevada e não deve receber carga.
- Antibiótico profilático é recomendado por alguns autores.
- Bolhas claras devem ser desbridadas; bolhas hemorrágicas devem ser mantidas intactas.
- Novo desbridamento cirúrgico deve ser adiado até a demarcação por mumificação (60 to 90 days). Pode haver amputação espontânea.
- Analgésicos podem ser necessários na fase de reaquecimento; o paciente com dor intensa, porém, deve ser avaliado quanto a vasoespasmo. Arteriografia e técnicas vasculares não invasivas (Doppler, pletismografia digital, cintilografia) têm sido úteis para avaliar a extensão do vasoespasmo após o descongelamento.
- Profilaxia antitetânica conforme indicação.
- Aloe vera tópica pode reduzir a destruição tecidual e deve ser aplicada a cada 6 hours.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Ibuprofen é inibidor de tromboxano e pode ajudar a reduzir a perda tecidual. Recomenda-se dose adulta de 200 milligrams a cada 12 hours.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Agentes farmacológicos adjuvantes (heparin, vasodilatadores, prostaciclinas, inibidores da prostaglandina sintetase, trombolíticos e dextran) são controversos e não são recomendados de rotina.dose/fármaco conforme a fonte ↗
‡ Não aprovado pela FDA para esta indicação / uso off-label
* Categorias de gravidez: consulte o DailyMed quanto às categorias de gravidez e a outras informações relacionadas à gestação.
Antídotos
Antídotos e outros tratamentos
- Não há antídoto específico para a intoxicação por amônia. Embora alguns toxicologistas recomendem corticosteroide para limitar a cicatrização esofágica, esse tratamento não está comprovado e pode ser danoso em paciente com perfuração ou infecção grave.
- A hemodiálise não é eficaz.
Exames laboratoriais
O diagnóstico da toxicidade aguda pela amônia é sobretudo clínico, baseado na dificuldade respiratória e na irritação. Ainda assim, os exames laboratoriais são úteis para monitorar o paciente e avaliar complicações.
Os exames laboratoriais de rotina de todo paciente exposto incluem:
- hemograma, glicemia e eletrólitos.
- O paciente com queixa respiratória pode precisar de oximetria de pulso (e/ou gasometria arterial) e radiografia de tórax.
- Não existe biomarcador específico de exposição à amônia.
- Link para Suporte Básico e Avançado de Vida
Destino e acompanhamento
Liberação e acompanhamento do paciente
- Quem foi exposto apenas ao gás amônia e está assintomático dificilmente terá complicações.
- Efeitos tardios — pode haver broncoconstrição residual, bronquiectasia e doença de pequenas vias aéreas, e pode se desenvolver doença pulmonar obstrutiva crônica. O paciente exposto por inalação que estava sintomático no início deve ser observado com atenção e reexaminado periodicamente. As provas de função pulmonar devem ser repetidas anualmente.
- O paciente com lesão de córnea deve ser reexaminado em 24 hours.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Link para Vigilância de Possíveis Emergências Químicas
- Link para Manejo dos Falecidos
Instruções de acompanhamento
- Ligue para seu médico ou procure o pronto-socorro se aparecer qualquer sinal ou sintoma incomum nas próximas 24 hours, especialmente: tossedose/fármaco conforme a fonte ↗
- dificuldade para respirar ou falta de ar
- chiado ou voz aguda
- dor ou aperto no peito
- aumento da dor ou secreção nos olhos expostos
- aumento da vermelhidão ou da dor, ou secreção purulenta na área de queimadura de pele
- dor no estômago ou vômito
- Nenhuma consulta de retorno é necessária, a menos que você desenvolva algum dos sintomas listados acima.
- Ligue para marcar consulta com o(a) Dr(a). _____________ do serviço ___________________. Ao ligar, diga que você foi atendido no pronto-socorro do Hospital ____________ por _______________ e foi orientado a retornar em ______ dias.
- Retorne ao pronto-socorro/ambulatório em __________ (data) às ____________ AM/PM para exame de acompanhamento.
- Não faça atividades físicas vigorosas por 1 a 2 dias.
- Você pode retomar as atividades do dia a dia, incluindo dirigir e operar máquinas.
- Não retorne ao trabalho por _______ dias.
- Você pode retornar ao trabalho de forma limitada. Veja as instruções abaixo.
- Evite exposição à fumaça de cigarro por 72 hours (72 horas); a fumaça pode piorar a condição dos seus pulmões.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Evite bebidas alcoólicas por pelo menos 24 hours (24 horas); o álcool pode agravar a lesão do estômago ou ter outros efeitos.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Evite tomar os seguintes medicamentos: ________________________________
- Você pode continuar tomando o(s) medicamento(s) que seu médico prescreveu: _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________
- Outras instruções: _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________
- Informe ao pronto-socorro o nome e o telefone do seu médico de referência, para que o serviço possa enviar a ele o registro do seu atendimento.
- Você ou seu médico podem obter mais informação sobre o produto químico entrando em contato com: ____________________________ ou ____________________________, ou consultando os seguintes sites: ________________________; ___________________________.
Adaptado de Medical Management Guidelines for Ammonia (ATSDR/CDC)
Os PDFs são da fonte original, em inglês.