SÃO PAULO (Reuters) - A Cosan, maior empresa do setor sucroalcooleiro no Brasil, anunciou nesta segunda-feira negociações com a Shell para a formação de uma joint-venture avaliada em US$ 12 bilhões que vai reunir sob um mesmo teto operações de açúcar, etanol, distribuição de combustíveis e pesquisa.
O negócio, anunciado na segunda-feira após a assinatura de um memorando na véspera, confirma a tendência de crescimento de investimentos estrangeiros na indústria de biocombustíveis do Brasil.
Em 2008, a britânica BP adquiriu uma fatia de 50% na Tropical Bioenergia. A Bunge fez acordo em dezembro para comprar a Moema, por US$ 452 milhões, enquanto em 2009 a francesa Louis Dreyfus ampliou sua participação no setor ao assumir a Santelisa Vale.
"A visão da Cosan é se tornar uma líder global em energia limpa e renovável. O nosso tamanho, grau de sofisticação e estágio de desenvolvimento recomenda um parceiro que não apenas compartilhe estes objetivos, mas também tenha acesso a mercados internacionais...", afirmou Rubens Ometto Silveira Mello, presidente do Conselho de Administração da Cosan, em comunicado nesta segunda-feira.
Por volta das 13h20 (horário de Brasília), as ações da Cosan saltavam cerca de 12%, enquanto as da Shell operavam em alta de 1,3%.
O memorando assinado pela Cosan prevê negociações exclusivas por 180 dias para a formação da joint-venture que vai unir os negócios da Cosan de açúcar e etanol, incluindo co-geração de energia, com ativos de distribuição e comercialização de combustíveis da Shell no Brasil, além da participação da petrolífera em empresas de pesquisa e desenvolvimento a partir da biomassa.
Segundo o diretor financeiro da Cosan, Marcelo Martins, a joint-venture deve ter uma receita bruta anual estimada em 40 bilhões de reais. (Fonte : Uol Notícias - 01/02/2010)